O presidenciável Romeu Zema afirmou nesta quarta-feira (22) que o Supremo Tribunal Federal é o “pior Supremo da história”. A declaração foi feita em Brasília, durante entrevista ao lado de deputados de oposição, em reação a um pedido do ministro Gilmar Mendes para incluí-lo em investigação.
Zema criticou duramente a atuação do STF e comparou o papel atual da Corte ao de um “incendiário”, afirmando que a instituição teria deixado de atuar como mediadora de crises. A manifestação ocorre após Gilmar Mendes solicitar ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão do ex-governador no inquérito das fake news.
O político passou a ser alvo da investigação após divulgar um vídeo com bonecos que fazem referência a ministros do STF, incluindo Dias Toffoli. O conteúdo foi publicado originalmente no mês anterior e republicado após a repercussão do caso.
Durante a entrevista, Zema afirmou que há risco à liberdade de expressão e comparou o cenário brasileiro a regimes autoritários. Ele também declarou que pretende propor mudanças estruturais no STF, como a exigência de idade mínima de 60 anos para ministros, o fim de decisões monocráticas e a facilitação de processos de impeachment com base em maioria simples do Senado.
Entre as propostas, o ex-governador também defendeu alterações no modelo de indicação de ministros, sugerindo a participação de instituições como o Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria-Geral da República e a Ordem dos Advogados do Brasil, em vez de decisão exclusiva do presidente da República.
Zema ainda criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por indicações ao STF, mas afirmou que outros governos também cometeram erros nesse processo.
No campo político, o ex-governador disse que manterá sua candidatura à Presidência, embora aliados considerem possível uma composição com o senador Flávio Bolsonaro.
Paralelamente, deputados de oposição articulam medidas contra ministros do STF, incluindo pedidos de impeachment de Gilmar Mendes, além de ações junto à Procuradoria-Geral da República e ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Apesar das iniciativas, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva, reconheceu que atualmente não há maioria no Senado para avançar com processos de impeachment, mas afirmou que novas tentativas continuarão sendo apresentadas.

