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Vacina da gripe reduz risco de morte após AVC, aponta estudo

Vacina da gripe reduz risco de morte após AVC, aponta estudo

Estudo mostra que dose dupla da vacina da gripe reduz em 20% mortes e internações após AVC

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Luis Gomes
22 de abril de 2026
3 min de leitura
Brasil

Receber uma dose dupla da vacina contra a gripe durante a internação hospitalar pode reduzir em cerca de 20% o risco de morte e novas hospitalizações em pacientes que sofreram AVC (acidente vascular cerebral), segundo estudo do Einstein Hospital Israelita publicado no International Journal of Stroke.

A pesquisa integra o Proadi-SUS, programa do Ministério da Saúde em parceria com hospitais de referência, e foi realizada entre 2019 e 2022 em 30 centros distribuídos pelas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Do total de participantes, 90% eram usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o estudo, a gripe desencadeia um processo inflamatório que favorece a formação de coágulos, elevando o risco de eventos cardiovasculares. Esse risco é ainda maior em pacientes que já sofreram AVC, devido ao comprometimento da resposta imunológica.

O pesquisador Henrique Fonseca, líder do Núcleo de Estudos Clínicos em Imunologia e Vacinas do Einstein e autor sênior do estudo, destacou que pacientes de alto risco, como aqueles com histórico de infarto, já apresentam redução consistente de mortalidade e eventos cardiovasculares com a vacinação contra influenza. Segundo ele, os novos dados indicam um possível benefício adicional com a aplicação de dose aumentada em pacientes com histórico de AVC.

O AVC é a segunda principal causa de morte no Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de AVC, além de ser a principal causa de incapacidade no mundo. A condição é mais comum em idosos e pessoas com doenças cardiovasculares, mas também tem crescido entre adultos jovens.

Ao todo, o estudo acompanhou 1.801 pacientes internados com síndrome coronariana aguda, dos quais 67 tinham histórico de AVC. Os participantes foram divididos entre aqueles que receberam duas doses da vacina ainda durante a internação e os que tomaram a dose padrão cerca de 30 dias após a alta, sendo monitorados por 12 meses.

Nos pacientes sem histórico de AVC, não houve diferença significativa entre as estratégias. Já entre aqueles que já haviam sofrido um derrame, o grupo que recebeu dose dupla no hospital apresentou menor número de mortes e reinternações.

Os pesquisadores ressaltam que o número de pacientes com histórico de AVC incluídos ainda é limitado, o que impede conclusões definitivas sobre o impacto conforme o tipo de AVC. Novos estudos com amostras maiores serão necessários para confirmar os resultados.

A pesquisa também avaliou a segurança da vacinação durante a internação, apontando que a prática é viável e não apresenta riscos adicionais. A estratégia pode contribuir para ampliar a cobertura vacinal em pacientes de alto risco que poderiam não se imunizar após a alta hospitalar.

Para os pesquisadores, a vacinação segue como uma medida essencial para a manutenção da saúde, especialmente entre pessoas com maior risco de doenças cardiovasculares.

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Última atualização: 22/04/2026