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Um ano após acidente com ônibus escolar, caso segue sem desfecho

Um ano após acidente com ônibus escolar, caso segue sem desfecho

Tragédia com ônibus escolar em Pilões completa um ano com investigações, falhas apontadas e cobranças por justiça.

Carlos HenriqueCarlos Henrique
1 de abril de 2026
4 min de leitura
Brejo

Um ano após o acidente com um ônibus escolar que matou dois estudantes e deixou 31 feridos na PB-077, entre Pilões e Cuitegi, no Brejo paraibano, o caso segue repercutindo e sem desfecho definitivo. As investigações apontaram falhas mecânicas, irregularidades no veículo e possíveis responsabilidades administrativas, enquanto familiares e sobreviventes ainda convivem com as consequências da tragédia.

Relembre o acidente

O acidente aconteceu na manhã de 1º de abril de 2025, quando um ônibus que transportava estudantes de Pilões para Guarabira tombou em uma curva na região conhecida como Ladeira do Espinho.

Segundo as apurações, o veículo perdeu o controle ao descer a ladeira. A ausência de marcas de frenagem no asfalto levantou, desde o início, suspeitas de falha mecânica.

Após o tombamento, o ônibus se arrastou pela pista e só parou ao colidir com uma mureta, o que evitou que caísse em uma ribanceira.

Falhas mecânicas e irregularidades

As investigações conduzidas pela Polícia Civil ao longo de 2025 identificaram uma série de problemas no ônibus envolvido no acidente.

Imagens da perícia mostram poltronas sem cintos de segurança, fissuras na mangueira responsável pelo envio de ar ao sistema de freios e falhas nos próprios freios.

Além disso, foi constatada a ausência de disco no tacógrafo, o que impossibilitava o controle da velocidade do veículo.

Segundo a Polícia Civil, “todas as falhas constatadas no inquérito evidenciam negligência dos indiciados”.

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) também informou que o ônibus não havia passado por vistoria obrigatória, reforçando a irregularidade do veículo.

Suspeita de falha nos freios

A hipótese de problema no sistema de freios foi levantada ainda no dia do acidente.

De acordo com o tenente Glauco, do Corpo de Bombeiros, a falta de marcas de frenagem na pista indica possível falha mecânica.

O perito Miguel Sales confirmou que o acidente ocorreu em uma curva e que o veículo se arrastou após o tombamento.

O motorista, Alisson David Galdino do Nascimento, afirmou em depoimento que dirigia em baixa velocidade e que o uso excessivo do freio pode ter provocado a falha que levou à perda de controle.

Ele passou por teste do bafômetro, que deu negativo, e possuía habilitação compatível.

Troca de ônibus no dia do acidente

Outro ponto que passou a ser investigado foi a troca do ônibus e do motorista no dia da tragédia.

De acordo com o assessor jurídico da Prefeitura de Pilões, Adilson Alves, a empresa responsável pelo transporte realizou a substituição sem comunicar à gestão municipal.

“Tal fato só foi de conhecimento da Prefeitura de Pilões após o acidente”, afirmou.

Segundo ele, o veículo anteriormente utilizado estaria regularizado e havia passado por vistorias, o que levanta questionamentos sobre a motivação da troca.

Um processo administrativo foi aberto para apurar responsabilidades, tanto da empresa quanto de possíveis envolvidos na gestão pública.

Indiciamentos e investigação

Com base nas conclusões do inquérito, três pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil: o dono da empresa responsável pelo ônibus, o secretário de Educação e o diretor de Transportes do município.

Eles devem responder por duplo homicídio culposo e lesão corporal culposa no trânsito, quando não há intenção de matar.

O caso foi encaminhado ao Ministério Público, que deve decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.

Até a última atualização, os indiciados não haviam se manifestado oficialmente, enquanto a Prefeitura de Pilões informou que ainda não foi formalmente notificada, mas que irá se posicionar após acesso ao inquérito.

Quem são as vítimas

Dois estudantes morreram no acidente: Gustavo Batista Belo da Silva, de 13 anos, e Fátima Antonella Guedes de Albuquerque, de 15 anos.

Ambos eram estudantes em Guarabira e tiveram suas mortes lamentadas por escolas, familiares e pela comunidade.

As vítimas seguem sendo homenageadas um ano após a tragédia, mantendo viva a memória do caso na região.

Feridos e consequências

Além das mortes, 31 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave. Entre elas, uma jovem que teve a mão amputada.

As vítimas foram socorridas inicialmente para o Hospital Regional de Guarabira, com parte sendo transferida para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa.

Mesmo após um ano, sobreviventes ainda convivem com sequelas físicas e emocionais.

Impacto um ano depois

Um ano após o acidente, o impacto ainda é visível na rotina da população.

Relatos indicam que, nesta quarta-feira (1º), estudantes optaram por não viajar para Guarabira, refletindo o trauma deixado pela tragédia.

Entre homenagens às vítimas e cobranças por justiça, o caso segue como um alerta sobre a necessidade de fiscalização rigorosa e condições adequadas no transporte escolar.

Sem desfecho definitivo na Justiça, o acidente com o ônibus escolar de Pilões permanece como um dos episódios mais marcantes da região nos últimos anos.

As investigações apontaram falhas graves e possíveis negligências, enquanto familiares das vítimas e sobreviventes seguem aguardando respostas e responsabilizações.

O caso reforça a importância da segurança no transporte de estudantes e da fiscalização efetiva para evitar novas tragédias.

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Última atualização: 01/04/2026
Um ano após acidente com ônibus escolar, caso segue sem desfecho | NE1 Notícias