A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) iniciou, no segundo semestre de 2026, a primeira graduação em Engenharia de Robôs das regiões Norte e Nordeste. O curso, vinculado ao Centro de Informática (CI), começou com 30 vagas e tem duração prevista de cinco anos, distribuídos em dez semestres. A universidade confirma que a graduação é pioneira nas duas regiões e está entre as primeiras do país com essa denominação.
A primeira turma iniciou as atividades em agosto. A aula inaugural ocorreu no dia 4 de setembro, em João Pessoa, com a participação do professor Mário Fernando Montenegro Campos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente do conselho da Sociedade Brasileira de Robótica.
Segundo Augusto Tavares, coordenador do curso, a criação da graduação busca antecipar a formação de profissionais para uma área que tende a ganhar espaço em diferentes setores da economia. “A ideia é que a gente possa se antecipar a essa onda”, afirma o professor.
A proposta também considera a característica interdisciplinar da robótica. A área reúne conhecimentos de computação, eletrônica, mecânica, inteligência artificial e outras áreas. Antes da criação da graduação, profissionais que trabalhavam com robôs geralmente chegavam à área a partir de cursos como Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Computação e Mecatrônica.
Tavares destaca que a formação específica desde a graduação pode evitar que profissionais precisem buscar posteriormente conhecimentos de outras áreas para atuar com robótica. “E não depois passar por uma dificuldade como eu passei, que já na pós-graduação ou já no ambiente de trabalho, você tem que correr atrás daquilo que você não viu”, explica.
A graduação da UFPB pretende preparar profissionais para projetar, desenvolver e integrar sistemas robóticos inteligentes. Entre as possibilidades de atuação estão robôs móveis autônomos, robótica industrial e colaborativa, drones, sistemas multi-robôs, automação e aplicações relacionadas à Indústria 4.0.
Outro objetivo é aproximar a formação das características econômicas do Nordeste. A universidade pretende estimular aplicações da robótica em áreas como agricultura e pecuária, além de incentivar o surgimento de empresas e soluções tecnológicas voltadas para problemas específicos da região.
A UFPB já desenvolveu projetos envolvendo robôs para coleta de dados em plantações de cana, com o objetivo de identificar pragas e avaliar a necessidade de aplicação de produtos agrícolas. A universidade também mantém projetos relacionados à utilização de robôs em parceria com empresas, incluindo iniciativas com a Petrobras para monitoramento de regiões costeiras.
O curso terá carga horária de 3.600 horas e começou com uma turma reduzida para permitir um acompanhamento mais próximo durante a implantação. A previsão da universidade é ampliar a oferta para 60 vagas anuais a partir de 2027, conforme a expansão da estrutura física.
Para Tavares, os primeiros estudantes também terão papel importante no aperfeiçoamento da graduação. A experiência da primeira turma poderá ajudar professores e coordenação a identificar ajustes no projeto pedagógico e na estrutura do curso ao longo dos próximos semestres.
A expectativa da UFPB é que a nova graduação contribua para ampliar a formação de profissionais especializados e fortalecer o ambiente de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico no Nordeste. A instituição também aposta na criação de soluções de robótica adaptadas às necessidades regionais, aproximando universidade, empresas e diferentes setores da economia.
“Então, a ideia é que a gente consiga ter profissionais com essa capacitação fortemente interdisciplinar, né, desde a graduação”, resume Augusto Tavares.
Fonte: Movimento econômico

