Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) desenvolveram um colete equipado com sensores capazes de monitorar diferentes condições ambientais em áreas urbanas. Batizado de MiMon Vest (Microclimate Monitoring Vest), o dispositivo permite coletar informações sobre temperatura, umidade, ruído, concentração de CO₂ e radiação ultravioleta em diferentes pontos das cidades.
O equipamento foi desenvolvido por estudantes dos Programas de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) e em Engenharia Civil e Ambiental (PPGECAM), com participação de pesquisadores do Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR).
Compacto e portátil, o colete foi pensado para complementar o trabalho realizado pelas estações meteorológicas fixas. Enquanto essas estruturas fazem o monitoramento em pontos determinados, o MiMon Vest pode acompanhar pesquisadores durante deslocamentos por ruas, bairros, praças e parques.
A tecnologia permite, dessa forma, observar as condições ambientais em locais próximos aos espaços onde as pessoas circulam e permanecem.
Segundo a mestranda do PPGECAM Ivonete Borne, o equipamento possui nove sensores instalados em uma estrutura leve e desenvolvida para facilitar o transporte durante as atividades de coleta.
“O equipamento possui nove sensores, que permitem monitorar temperatura e umidade do ar, temperatura de globo, ruído, concentração de CO₂, pressão atmosférica, localização por GPS, iluminância e radiação ultravioleta (UV). Esses registros são realizados a cada minuto e armazenados em um cartão de memória”, explicou.
De acordo com a pesquisadora, a equipe buscou materiais que combinassem baixo peso e resistência para sustentar os sensores. O equipamento pesa aproximadamente 1 quilo.
O desenvolvimento do MiMon Vest começou em 2020. Desde então, quatro protótipos foram produzidos. Os primeiros testes foram realizados em laboratório, com o objetivo de aprimorar o funcionamento dos sensores. Posteriormente, os pesquisadores levaram o equipamento para testes em campo.
Durante essa etapa, foram realizadas coletas em diferentes regiões e também pesquisas com a população para comparar os dados registrados pelo dispositivo com a percepção das pessoas sobre os ambientes monitorados.
“A partir dos levantamentos realizados nos parques, foi possível identificar variações nas condições microclimáticas ao longo dos percursos monitorados. O que o equipamento demonstrou foi sua capacidade de registrar condições ambientais em escala mais próxima do pedestre e acompanhar as variações encontradas nos espaços analisados”, detalhou Ivonete.
Os primeiros testes ainda não apresentam resultados conclusivos, mas indicam potencial para utilização do equipamento em pesquisas futuras relacionadas ao ambiente urbano.
A proposta dos pesquisadores não é substituir as estações meteorológicas tradicionais, mas ampliar o monitoramento e permitir uma análise mais detalhada das condições encontradas em diferentes espaços das cidades.
“Nossos espaços urbanos apresentam características muito diferentes: temos áreas arborizadas e não arborizadas, diferentes tipos de pavimentação, áreas expostas ao sol e sombreadas, além de diferenças na própria configuração urbana, que também pode interferir, por exemplo, na ventilação”, explicou a pesquisadora.
Segundo Ivonete, a possibilidade de transportar o equipamento permite observar essas diferenças de maneira mais próxima da realidade enfrentada pelos pedestres.
“Nossa proposta não é substituir uma estação meteorológica. É complementar esse tipo de monitoramento, permitindo investigar com maior detalhe aquilo que acontece nos espaços onde as pessoas realmente circulam e permanecem”, complementou.
Apesar dos avanços, a tecnologia ainda passa por avaliações. Entre as limitações identificadas pelos pesquisadores está a calibração de alguns sensores, que não puderam ser verificados devido à falta de equipamentos específicos.
Cada unidade do MiMon Vest custa entre R$ 1,8 mil e R$ 2 mil, considerando a estrutura eletrônica utilizada no equipamento. Mesmo ainda necessitando de novos testes, o dispositivo já apresenta capacidade de funcionamento autônomo.
Segundo Ivonete, cada unidade consegue operar por pelo menos oito horas consecutivas, permitindo a realização de períodos prolongados de coleta de dados.
O projeto também já foi registrado na INOVA UFPB para proteção da tecnologia. Entre os próximos passos estão a ampliação do uso do dispositivo e a avaliação de seu potencial como ferramenta de apoio ao diagnóstico das condições climáticas em espaços públicos.
A expectativa dos pesquisadores é que, futuramente, os dados produzidos pelo equipamento possam auxiliar gestores públicos, pesquisadores e profissionais que trabalham com planejamento urbano e ambiental.
As informações podem contribuir para estudos relacionados à arborização, sombreamento, escolha de materiais e outras estratégias de planejamento das cidades.
“Futuramente, o dispositivo pode se tornar uma ferramenta de apoio para gestores públicos, pesquisadores e profissionais envolvidos com planejamento urbano e ambiental. Essas informações podem auxiliar estudos relacionados à arborização, sombreamento, escolha de materiais e outras estratégias de planejamento urbano”, afirmou Ivonete.
A pesquisadora também destacou que a tecnologia pode aproximar o monitoramento ambiental da experiência cotidiana da população.
“Quando associamos esses dados à percepção das próprias pessoas que utilizam os espaços, conseguimos acrescentar uma informação muito importante: não estamos analisando apenas o ambiente, mas também como as pessoas percebem e vivenciam aquele ambiente”, finalizou.
Fonte: G1PB

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