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TSE estuda novas regras para registro de pesquisas eleitorais

TSE estuda novas regras para registro de pesquisas eleitorais

Presidente do TSE prepara novo modelo de registro de pesquisas eleitorais, com formulário mais detalhado e medidas que geram críticas.

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Luis Gomes
23 de julho de 2026
4 min de leitura
Política

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, prepara um novo modelo para o registro de pesquisas eleitorais que prevê um formulário mais detalhado a ser preenchido pelos institutos. A proposta inclui informações sobre o perfil dos eleitores entrevistados e outros critérios metodológicos, mas alguns dos pontos em estudo já geram críticas de especialistas e representantes do setor.

Entre as medidas analisadas está a possibilidade de exigir que os institutos informem previamente os bairros onde as entrevistas serão realizadas. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a divulgação antecipada dessas informações pode abrir espaço para interferências externas, tentativas de manipulação dos levantamentos e riscos à segurança dos entrevistadores.

A iniciativa faz parte de uma série de propostas defendidas por Kassio Nunes Marques para alterar as regras relacionadas às pesquisas eleitorais. Entre elas estão a decisão que censurou uma pesquisa da Atlas/Bloomberg e a criação de um "selo de acurácia" para institutos cujos resultados se aproximarem dos números apurados nas urnas. Ambas as medidas receberam críticas de empresas e especialistas.

Segundo interlocutores do presidente do TSE, o ministro considera que o atual sistema de registro é genérico e dificulta a compreensão das informações metodológicas já exigidas dos institutos. A proposta é organizar esses dados em um formulário padronizado e disponibilizá-los em uma plataforma no site do tribunal, tornando as informações mais acessíveis para eleitores, partidos e campanhas.

Nas discussões internas, Kassio tem afirmado que a iniciativa busca apenas aperfeiçoar a transparência do processo, sem interferir no conteúdo das pesquisas, salvo em casos de judicialização. O ministro também defende que os institutos justifiquem critérios como a escolha das regiões onde serão realizadas as entrevistas e informem quando o levantamento abranger apenas áreas específicas de um estado.

Outro ponto em análise é a inclusão de perguntas sobre as medidas adotadas para impedir a participação de robôs em pesquisas realizadas pela internet. O formulário também poderá questionar se os entrevistados terão acesso a fotos, áudios ou vídeos relacionados a candidatos durante a pesquisa, tema que será discutido pelo plenário do TSE em agosto, quando será retomado o julgamento do caso Atlas/Bloomberg.

A pesquisa da Atlas/Bloomberg foi censurada por decisão de Kassio Nunes Marques em junho após apontar queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O ministro entendeu que houve "indução grave de percepção negativa" ao exibir aos entrevistados um áudio em que o parlamentar solicita recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Representantes do setor de pesquisas avaliam que as mudanças podem aumentar a burocracia sem ampliar efetivamente a transparência. A diretora do Datafolha, Luciana Chong, afirmou que a obrigatoriedade de informar previamente os bairros seria um risco para a integridade das pesquisas, permitindo tentativas de interferência por parte de campanhas políticas.

O coordenador do Comitê de Opinião Pública da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, João Francisco Meira, também criticou a proposta. Segundo ele, a divulgação antecipada dos locais das entrevistas pode facilitar o deslocamento de pessoas para influenciar os resultados e aumentar os riscos à segurança dos pesquisadores, além de estimular ações judiciais com o objetivo de atrasar a divulgação dos levantamentos.

A cientista política e professora da Universidade de São Paulo (USP), Maria Tereza Sadek, afirmou que a Justiça Eleitoral não possui atribuição para fiscalizar os institutos de pesquisa e defendeu que o TSE concentre seus esforços na organização do processo eleitoral.

Outra proposta em discussão é a criação de um selo de acerto para pesquisas realizadas nos dias que antecedem a eleição. A versão inicial previa a certificação para levantamentos feitos nos sete dias anteriores ao pleito, mas Kassio Nunes Marques avalia restringir o benefício às pesquisas realizadas nas 48 horas que antecedem a votação, com o objetivo de uniformizar os critérios de avaliação.

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Última atualização: 23/07/2026