O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou nesta terça-feira a possibilidade de a Seleção Iraniana de Futebol boicotar a Copa do Mundo FIFA de 2026, após a escalada de tensão no Oriente Médio envolvendo ataques contra os Estados Unidos e Israel no último fim de semana. O país asiático é uma das seleções já classificadas para o torneio, que terá como sedes os Estados Unidos, Canadá e México.
Em declaração ao portal Politico, Trump afirmou não se preocupar com um eventual boicote. “Eu realmente não me importo. Acho que o Irã é um país gravemente derrotado. Eles estão nas últimas”, disse o presidente norte-americano.
A especulação surgiu depois de o Irã ter sido a única seleção já classificada para o Mundial que não participou de uma reunião de planejamento organizada pela FIFA em Atlanta nesta semana. O cenário de tensão levantou dúvidas sobre duas possibilidades: o próprio país se recusar a disputar a competição como forma de protesto ou os Estados Unidos impedirem a entrada da delegação iraniana como retaliação.
Em entrevista à emissora iraniana Varzesh3, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, admitiu que o contexto político pode afetar a participação da equipe. Segundo ele, após os acontecimentos recentes, não é possível garantir que existam condições para a seleção disputar o torneio. A equipe tem como principal referência o atacante Mehdi Taremi, ex-jogador do FC Porto.
A preparação do Mundial tem sido conduzida em coordenação entre a Casa Branca e a FIFA. Andrew Giuliani, diretor do grupo de trabalho do governo norte-americano para o torneio, elogiou a atuação da administração dos Estados Unidos e afirmou que a ação do presidente ao eliminar o aiatolá Ali Khamenei removeu uma ameaça considerada desestabilizadora. Segundo Giuliani, a medida ajudará a proteger pessoas ao redor do mundo, incluindo torcedores que pretendem acompanhar a Copa de 2026.
No sorteio do torneio, o Irã foi colocado no Grupo G, ao lado de Seleção da Nova Zelândia de Futebol, Seleção Belga de Futebol e Seleção Egípcia de Futebol.
O regulamento preliminar da FIFA prevê sanções para federações que desistirem da competição após a inscrição. De acordo com a entidade, qualquer seleção que se retire antes do início da fase preliminar pode ser multada em pelo menos 20 mil francos suíços. Dependendo das circunstâncias, o Comitê Disciplinar da FIFA também pode aplicar punições adicionais, incluindo a exclusão da federação de futuras competições organizadas pela entidade.
A organização também se reserva o direito de substituir a federação que desistir por outra associação-membro, embora não especifique os critérios para essa escolha. Nesse cenário, a tendência seria convocar a seleção melhor posicionada no ranking que não tenha conseguido a classificação.
O tema também foi abordado pelo secretário-geral da FIFA, Mattias Grafström, durante a reunião anual do International Football Association Board realizada em Hensol, no País de Gales. Segundo ele, ainda é cedo para qualquer posicionamento oficial.
Grafström afirmou que a entidade acompanha os desdobramentos da situação internacional e reforçou que o objetivo da organização é realizar o torneio com todas as seleções classificadas. Ele também destacou que a FIFA continuará em diálogo com os governos dos três países-sede para garantir a segurança de todos os envolvidos no evento.

