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Testemunha diz que organizadora pediu para apagar vídeo de salto

Testemunha diz que organizadora pediu para apagar vídeo de salto

Investigação aponta que organizadora de salto em Limeira pediu para apagar vídeo da câmera de Maria Eduarda após acidente fatal.

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Luis Gomes
7 de julho de 2026
3 min de leitura
Brasil

Uma testemunha ouvida pela Polícia Civil na investigação sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, afirmou que a organizadora do evento de rope jump, Evelyne dos Santos Gonçalves, pediu que fosse apagado o vídeo gravado pela câmera acoplada ao braço da vítima logo após o acidente ocorrido em Limeira (SP). O equipamento desapareceu do local da queda e ainda não foi localizado.

Segundo o depoimento, a testemunha, que prestava serviços para a organizadora no dia do acidente, relatou que, imediatamente após a queda da jovem, Evelyne demonstrou preocupação em recuperar a câmera utilizada durante o salto.

De acordo com o relatório final do inquérito, o homem afirmou que houve um pedido expresso para que o vídeo registrado fosse apagado. No entanto, ele disse ter recusado atender à solicitação naquele momento porque a prioridade era prestar socorro à vítima.

Ainda conforme o depoimento, ao retornar à parte superior da ponte, a organizadora voltou a demonstrar preocupação com a localização da câmera e pediu que equipamentos utilizados na atividade fossem retirados do local e levados para um veículo. A testemunha informou que cumpriu essa solicitação.

A investigação não conseguiu identificar quem retirou a câmera que estava presa ao corpo de Maria Eduarda. João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva chegou a ser preso sob suspeita de ter ocultado o equipamento, mas o inquérito concluiu que não foram encontrados indícios suficientes de autoria. Em uma carta, ele negou envolvimento no desaparecimento da câmera.

No relatório final, a Polícia Civil destacou que Evelyne demonstrou "manifesta preocupação" com a recuperação do equipamento, considerado potencialmente capaz de registrar toda a dinâmica do acidente. A delegada Andréa Dantas Levy também apontou que a investigada admitiu ter desativado um perfil relacionado à atividade em uma rede social logo após os fatos. Segundo a conclusão do inquérito, embora essa conduta, isoladamente, não configure crime, somada aos demais elementos apurados pode indicar uma tentativa de restringir o acesso a registros considerados relevantes para a investigação. A defesa da organizadora informou que discorda do indiciamento.

A investigação também reuniu relatos de pelo menos três testemunhas que afirmaram ter visto um homem retirar a câmera do corpo da vítima. Nenhuma delas, porém, conseguiu identificá-lo. Duas testemunhas disseram apenas que ele tinha cabelo escuro e utilizava uniforme da equipe responsável pela atividade.

O acidente aconteceu em 13 de junho, durante um salto de aproximadamente 40 metros na Ponte do Esqueleto. Conforme a investigação, a corda que deveria estar presa ao corpo de Maria Eduarda foi esquecida no chão pela equipe organizadora. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram que pessoas que aguardavam para saltar perceberam a ausência do equipamento logo após a jovem ser lançada da plataforma e entraram em desespero. O socorro foi acionado, mas a vítima morreu no local.

Além de Evelyne dos Santos Gonçalves, indiciada por homicídio com dolo eventual e fraude processual, outros três instrutores que aparecem nas imagens lançando Maria Eduarda sem a corda de segurança também foram indiciados por homicídio com dolo eventual em um inquérito concluído em 22 de junho. Os três permanecem presos preventivamente.

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Última atualização: 07/07/2026