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Tarcísio vê chance em EUA classificarem PCC e CV como terroristas

Tarcísio vê chance em EUA classificarem PCC e CV como terroristas

Tarcísio diz que classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA pode ampliar cooperação internacional no combate ao crime organizado.

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Luis Gomes
11 de março de 2026
3 min de leitura
Brasil

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (11) que vê como uma oportunidade a possível decisão dos Estados Unidos de classificarem as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. A declaração foi dada a jornalistas durante um evento no centro de controle operacional do Metrô.

Segundo o governador, a classificação poderia facilitar a cooperação internacional no combate ao crime organizado. “A gente enxerga isso como uma oportunidade. A partir do momento que um governo como o dos Estados Unidos encara o PCC como organização terrorista, e é de fato o que eles são, fica mais fácil, fica aberta a cooperação para que a gente possa integrar inteligência, para que a gente possa trazer recursos financeiros, para que a gente possa fazer um combate ainda mais efetivo”, afirmou Tarcísio.

Após a entrevista, o governador não detalhou de que forma essa cooperação poderia ser implementada.

Em nota divulgada nesta terça-feira (10), a gestão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou considerar o PCC e o Comando Vermelho ameaças significativas à segurança regional, devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional. Segundo reportagem do UOL, Washington já teria decidido classificar as facções brasileiras como organizações terroristas.

Especialistas e pessoas que acompanham o tema apontam riscos nessa mudança de classificação, entre eles possíveis impactos na economia e na competitividade do Brasil no cenário internacional.

A definição de terrorismo varia entre os países, mas, de forma geral, o termo costuma ser associado a ações violentas deliberadas contra civis com o objetivo de intimidar a população ou governos, normalmente ligadas a causas políticas ou religiosas.

Desde segunda-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem se reunido com auxiliares em busca de uma alternativa à proposta americana. De acordo com aliados do presidente, a classificação defendida por Washington poderia abrir brechas legais para intervenções dos Estados Unidos em território brasileiro.

O governo brasileiro também teme a exploração política do tema por opositores e discute uma estratégia de comunicação para explicar a resistência à proposta. Como alternativa, o Brasil sugeriu ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado.

Integrantes do governo americano, porém, avaliam que essa proposta não é suficiente. Um conselheiro do presidente dos Estados Unidos afirmou à Folha de S.Paulo que Lula estaria atuando para proteger as facções.

O debate sobre classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas ocorre nos Estados Unidos desde o ano passado. Dentro do Departamento de Estado, setor equivalente ao Ministério das Relações Exteriores, há um grupo que defende aplicar às facções brasileiras a mesma classificação dada a organizações da América Latina, como o Cartel de Jalisco, no México.

A discussão ganhou força após a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) em 2025.

Outro ponto que gera preocupação é o interesse do governo americano nas transações financeiras realizadas por meio do Pix. Há receio de que os Estados Unidos tentem ampliar o controle dessas operações sob o argumento de que a ferramenta poderia ser utilizada por organizações criminosas.

Empresas de cartão de crédito dos Estados Unidos também são críticas ao sistema de pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil.

No Congresso Nacional, o tema também já foi debatido. Em novembro do ano passado, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), barrou de ofício a proposta que buscava equiparar facções criminosas ao terrorismo. A medida foi anunciada em plenário durante a discussão do chamado PL Antifacção.

O projeto tinha como relator o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e aliado do governador Tarcísio de Freitas.

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Última atualização: 11/03/2026