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Tarcísio defende autonomia da Polícia após operação ligada a filme sobre Bolsonaro

Tarcísio defende autonomia da Polícia após operação ligada a filme sobre Bolsonaro

Governador Tarcísio de Freitas afirma que não interfere em investigações da Polícia Civil após operação que apura contrato de R$ 108 milhões.

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Luis Gomes
3 de junho de 2026
3 min de leitura
Política

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou nesta terça-feira (2) que a Polícia Civil possui autonomia para conduzir investigações e operações, um dia após a realização da Operação Wi-Fi, que cumpriu mandados de busca em endereços ligados à produtora do filme "Dark Horse", baseado na trajetória de Jair Bolsonaro, e em uma secretaria da Prefeitura de São Paulo.

A declaração foi feita em Rio Claro, no interior paulista, após críticas à ação policial por parte do prefeito da capital, Ricardo Nunes. Na véspera, o prefeito classificou a operação como uma possível perseguição política e questionou a necessidade das buscas realizadas em órgãos municipais.

Segundo Tarcísio, o governo estadual não interfere no trabalho investigativo da Polícia Civil. O governador afirmou que a corporação atua como instituição de Estado e que a operação ocorreu em razão de uma investigação em andamento e de uma demanda apresentada pelo Ministério Público.

A Operação Wi-Fi cumpriu oito mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e comerciais de Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme "Dark Horse", além de empresas ligadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização social também presidida por ela.

O inquérito investiga suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos em um contrato de R$ 108 milhões firmado em 2024 entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de internet sem fio gratuita. A apuração busca verificar se parte dos recursos teria sido destinada à produção do longa-metragem.

A operação também provocou reações entre aliados políticos do governador e integrantes do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com informações citadas no material, bolsonaristas procuraram Tarcísio para manifestar insatisfação com a ação policial.

Ao criticar a operação, Ricardo Nunes afirmou que os documentos recolhidos eram públicos e já estavam disponíveis para consulta. No entanto, a Polícia Civil informou ao Judiciário que havia encaminhado solicitações formais de informações que não teriam sido respondidas.

O caso ganhou novos desdobramentos após a divulgação de áudios e mensagens pelo portal Intercept Brasil. O material mostra negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, do Banco Master, relacionadas ao financiamento da produção de "Dark Horse".

Segundo a publicação, Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para o projeto cinematográfico. O material também cita uma investigação da Polícia Federal para apurar se parte dos recursos teria sido utilizada para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade na busca por apoio financeiro para o filme. Eduardo Bolsonaro também nega ter recebido ou utilizado recursos provenientes da operação financeira mencionada nas investigações.

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Última atualização: 03/06/2026