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Surto de Ebola no Congo já soma 1.751 mortes, alerta OMS

Surto de Ebola no Congo já soma 1.751 mortes, alerta OMS

Epidemia de Ebola na República Democrática do Congo já registra 1.751 mortes e 3.874 casos. OMS pede ampliação urgente das ações de combate.

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Luis Gomes
6 de agosto de 2026
4 min de leitura
Internacional

A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo continua avançando rapidamente e já provocou 1.751 mortes entre 3.874 casos confirmados, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde do país. Declarado em 15 de maio, o surto tornou-se o segundo maior já registrado no mundo e levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a reforçar o pedido por uma resposta imediata e ampliada para conter a doença.

De acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em algumas das regiões mais afetadas o número de novas infecções está dobrando. Após reuniões com representantes do governo congolês, ele afirmou que é necessário ampliar de forma urgente os esforços de combate à epidemia, envolvendo autoridades, organizações internacionais, profissionais de saúde e as comunidades locais.

A atual epidemia é causada pelo vírus Bundibugyo, variante para a qual ainda não existe vacina aprovada nem tratamento específico. Segundo as autoridades sanitárias, a demora na identificação dos primeiros casos permitiu que a doença circulasse por semanas antes da declaração oficial do surto.

Outro fator que contribui para o avanço da epidemia é a dificuldade em rastrear pessoas que tiveram contato com pacientes infectados. Entre 60% e 70% dos novos casos estão sendo identificados fora dos grupos monitorados, percentual que, segundo estimativas mais recentes, pode chegar a 80%. A identificação tardia dos pacientes também contribui para uma taxa de letalidade de aproximadamente 45%, já que muitos procuram atendimento quando a doença está em estágio avançado.

Tedros defendeu maior coordenação das ações sob liderança do governo da República Democrática do Congo, além da proteção das equipes médicas e da ampliação do acesso às comunidades mais isoladas. O diretor-geral da OMS também destacou que as populações afetadas precisam estar no centro da resposta à epidemia.

A província de Ituri, no leste do país, concentra o maior número de casos. A região, próxima às fronteiras com Uganda, Sudão do Sul e Ruanda, enfrenta conflitos armados, deslocamentos populacionais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde, fatores que dificultam o trabalho das equipes médicas e comprometem o transporte de pacientes, medicamentos e equipamentos. Ataques contra unidades de saúde também já interromperam temporariamente a atuação de organizações humanitárias.

A situação foi agravada por uma greve de parte dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente. Segundo relatos de famílias das áreas atingidas, os trabalhadores reivindicam pagamento de salários atrasados, melhores condições de trabalho e maior proteção. Embora alguns tenham recebido valores pendentes, a paralisação continua afetando o atendimento em hospitais e centros de tratamento que já enfrentam escassez de profissionais, leitos e materiais.

Em resposta ao agravamento da crise, o governo dos Estados Unidos anunciou um novo aporte de US$ 242 milhões para apoiar o combate ao Ebola, fortalecer a preparação dos países da região e ampliar a assistência humanitária. Com o novo investimento, o apoio financeiro norte-americano relacionado ao surto ultrapassa US$ 512 milhões. Os recursos serão destinados à ampliação de centros de tratamento, vigilância epidemiológica, rastreamento de contatos, treinamento de profissionais e proteção das comunidades mais vulneráveis.

Até o momento, não existe vacina licenciada contra o vírus Bundibugyo. Também não há tratamento específico aprovado, embora os cuidados de suporte iniciados precocemente possam aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes. Vacinas experimentais estão sendo testadas no Reino Unido e no Canadá, incluindo um estudo conduzido pela Moderna para avaliar a segurança e a resposta imunológica de uma vacina baseada em RNA mensageiro. A OMS também acompanha pesquisas com terapias experimentais e avalia se vacinas desenvolvidas para outras variantes do Ebola podem oferecer algum nível de proteção.

Em número de casos, a atual epidemia já é a segunda maior da história, ficando atrás apenas do surto registrado na África Ocidental entre 2014 e 2016, quando mais de 28 mil pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram. A OMS considera baixo o risco de disseminação global, mas alerta que a situação permanece crítica na República Democrática do Congo e pode atingir países vizinhos caso as medidas de controle não sejam reforçadas.

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Última atualização: 06/08/2026