A presidente do México, Claudia Sheinbaum, negou nesta segunda-feira (23) que os Estados Unidos tenham participado diretamente da operação que resultou na captura e morte de Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, chefe de um dos cartéis mais poderosos do país. A declaração rebateu versão apresentada pelo governo do presidente Donald Trump.
Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os EUA forneceram apoio de inteligência à ação e parabenizou o Exército mexicano pela cooperação e pela execução bem-sucedida. Sheinbaum, no entanto, evitou confirmar envolvimento operacional. “Não há participação na operação por parte das forças dos Estados Unidos; o que há é muita troca de informações”, declarou. Segundo ela, o governo mexicano ampliou a cooperação com agências de segurança norte-americanas, especialmente na área de inteligência.
A ofensiva contra Nemesio Oseguera desencadeou uma onda de violência no país, com bloqueios de estradas, suspensão de aulas e incêndios a estabelecimentos comerciais. Em pronunciamento, Sheinbaum afirmou que o México amanheceu com as vias liberadas, após veículos terem sido incendiados para interditar rodovias, e classificou a situação como de “paz e normalidade”.
O secretário da Defesa, Ricardo Trevilla, detalhou que as informações que levaram à localização de “El Mencho” partiram de uma parceira romântica do criminoso. As Forças Armadas rastrearam a mulher até a cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, onde o cartel foi fundado e mantém base de atuação. O encontro entre os dois teria sido previamente marcado no local.
Segundo Trevilla, “El Mencho” foi localizado em 20 de fevereiro. Ao ser deflagrada a operação, a equipe de segurança do traficante abriu fogo em um ataque classificado como “muito violento”. O líder criminoso conseguiu fugir inicialmente, mas o Exército cercou a área e o encontrou entre arbustos, acompanhado de dois seguranças.
Os três estavam gravemente feridos e chegaram a ser encaminhados para atendimento médico, mas morreram durante o trajeto. A operação terminou com a morte de oito criminosos e 25 agentes de segurança.

