A disputa pelas duas vagas ao Senado na Paraíba entra na reta final com João Azevêdo (PSB) na liderança e uma corrida mais equilibrada pela segunda cadeira, entre Veneziano Vital e Nabor Wanderley. O cenário é apontado por um agregador de pesquisas desenvolvido pelos cientistas políticos Luiz Felipe Bezerra Lopes (UFCG/UFPE) e Felipe Rodrigues Braga (UFCG/UFPE), que analisou 26 levantamentos estaduais registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre janeiro e setembro de 2026.
Ao todo, foram consideradas 42.173 entrevistas. A metodologia levou em conta apenas pesquisas que mediram os dois votos para o Senado. Os resultados foram convertidos para votos válidos e ajustados para diferenças identificadas entre os institutos.
Na projeção final, com dados disponíveis até 30 de setembro, João Azevêdo aparece com 39,9% dos votos válidos. Veneziano Vital tem 23,9%, enquanto Nabor Wanderley soma 18,1%.
João Azevêdo aparece na liderança
O agregador coloca João Azevêdo isolado na primeira posição da disputa. Na projeção de 30 de setembro, o governador registra 39,9% dos votos válidos.
Segundo o modelo apresentado no estudo, João Azevêdo tem 99,9% de probabilidade de eleição. O resultado o coloca como o nome mais bem posicionado na projeção para uma das duas vagas disponíveis.
A segunda colocação, porém, apresenta uma diferença menor entre os principais candidatos. Veneziano aparece com 23,9%, enquanto Nabor Wanderley registra 18,1%, uma distância de 5,8 pontos percentuais.
Veneziano mantém vantagem no agregador
De acordo com o levantamento, Veneziano Vital apresenta 84,9% de probabilidade de reeleição no modelo utilizado pelos pesquisadores.
A trajetória do senador, segundo o estudo, passou por uma queda entre maio e agosto, seguida de estabilização. Apesar da redução da vantagem sobre Nabor, Veneziano permanece à frente na média agregada das pesquisas analisadas.
Nabor Wanderley, por sua vez, aparece com 15,2% de probabilidade de eleição, segundo a simulação do modelo. O candidato do Republicanos registra trajetória de crescimento desde junho, com alta média de 2,5 pontos por mês, conforme o levantamento.
Diferença entre Veneziano e Nabor diminuiu
A evolução da distância entre Veneziano e Nabor é um dos principais pontos destacados pelo agregador.
No início do ano, a vantagem de Veneziano sobre Nabor era de aproximadamente 25 pontos percentuais. A diferença caiu para 21 pontos no fim de maio e chegou a 11 pontos no início de agosto.
Na última pesquisa incorporada ao modelo, a distância estava em 5,8 pontos percentuais.
O levantamento mais recente citado no estudo foi realizado pelo instituto TDL e divulgado em 30 de setembro. A pesquisa ouviu 2 mil eleitores em 68 municípios, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, e apontou empate de Veneziano e Nabor em 30% na soma dos dois votos.
Apesar do resultado da TDL, o agregador considera o conjunto dos levantamentos. Segundo a análise, nenhuma das 26 pesquisas colocou Nabor à frente de Veneziano.
Como o agregador trata as pesquisas
O modelo também aplica correções estatísticas para reduzir diferenças sistemáticas entre os institutos. O estudo cita, como exemplo, o instituto SETA em relação aos resultados de Nabor.
Dessa forma, o resultado do agregador não corresponde simplesmente à média aritmética das pesquisas. Os pesquisadores incorporam ajustes para tentar considerar diferenças de comportamento entre os institutos e outras fontes de incerteza.
Apoio de prefeitos também é analisado
Além das pesquisas eleitorais, o estudo acompanhou o apoio declarado por prefeitos paraibanos aos candidatos ao Senado.
Nabor Wanderley foi o candidato que mais ampliou o número de apoios no período analisado. Segundo o levantamento, ele passou de 84 prefeituras em outubro de 2025 para 174 em setembro de 2026.
João Azevêdo aparece com 163 apoios, enquanto Veneziano Vital soma 107 prefeituras.
O estudo também considerou o peso eleitoral desses apoios, calculado a partir dos votos obtidos pelos prefeitos nas eleições municipais de 2024.
Nesse critério, Nabor reúne 1,26 milhão de votos, enquanto Veneziano soma 910 mil e João Azevêdo registra 839 mil.
O levantamento aponta que o desempenho de Nabor nesse indicador é impulsionado, entre outros fatores, pelo apoio do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena.
Número de prefeituras exige cautela
Apesar do crescimento no número de prefeitos apoiadores, o próprio relatório apresenta uma ressalva sobre o peso eleitoral desse grupo.
Das 91 novas prefeituras que, segundo o estudo, passaram a apoiar Nabor, 57 são de municípios com menos de 5 mil votos.
Por isso, o relatório recomenda cautela na interpretação do número absoluto de apoios e considera também o peso eleitoral de cada município.
Projeção não representa garantia do resultado
O estudo apresenta uma simulação para a eleição de 4 de outubro, mas ressalta que o resultado não deve ser interpretado como garantia do que ocorrerá nas urnas.
O modelo utiliza as pesquisas disponíveis até 30 de setembro e incorpora diferentes fontes de incerteza, incluindo um componente relacionado a possíveis erros sistemáticos das pesquisas eleitorais.
Os próprios pesquisadores destacam que o método ainda não foi testado em eleições anteriores na Paraíba. O relatório também ressalta que diferentes pesquisas podem apresentar erros simultaneamente na mesma direção.
Outro fator não modelado foi o eventual efeito do voto casado entre candidatos das mesmas coligações.
Como funciona a votação para o Senado
Na eleição deste domingo (4), cada eleitor paraibano poderá escolher dois candidatos diferentes para o Senado.
As duas vagas serão preenchidas pelos candidatos que obtiverem as duas maiores votações no estado.
Com base no conjunto de pesquisas analisado, a principal mudança na reta final foi a redução da distância entre Veneziano Vital e Nabor Wanderley. Enquanto o agregador ainda aponta vantagem de Veneziano, a pesquisa mais recente citada no estudo registrou empate entre os dois candidatos.
O levantamento, portanto, apresenta um retrato estatístico da disputa com base nas pesquisas disponíveis até 30 de setembro, acompanhado das ressalvas metodológicas feitas pelos próprios pesquisadores.
Fonte: Jornal da Paraiba

