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Senado aprova PEC que cria aposentadoria especial para agentes de saúde

Senado aprova PEC que cria aposentadoria especial para agentes de saúde

Senado aprova em primeiro turno PEC que cria aposentadoria especial para agentes de saúde e efetiva vínculos temporários.

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Luis Gomes
15 de julho de 2026
3 min de leitura
Política

O Senado aprovou, nesta terça-feira (14), em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria regras de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, além de efetivar vínculos temporários da categoria. A proposta recebeu 73 votos favoráveis e um contrário. Como as PECs exigem aprovação em dois turnos, os senadores decidiram realizar a segunda votação ainda no mesmo dia.

Durante a tramitação, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou retirar do texto os dispositivos que garantem paridade e integralidade aos aposentados, mecanismos que asseguram o mesmo salário dos servidores da ativa e reajustes equivalentes aos concedidos aos profissionais em atividade. A negociação, no entanto, não avançou.

No plenário, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), liberou a bancada para votar conforme entendimento individual. A senadora afirmou que o governo reconhece a importância da valorização dos profissionais, mas destacou a necessidade de preservar o equilíbrio das contas públicas. Ela optou por não votar na proposta.

Segundo a equipe econômica, a PEC poderá gerar um impacto de R$ 30 bilhões ao longo de dez anos. Já o relator da matéria no Senado, Irajá (PSD-TO), contestou essa estimativa e afirmou que o custo deve ficar em cerca de R$ 2,5 bilhões por ano, o equivalente a aproximadamente R$ 25 bilhões em uma década. Para o senador, o impacto representa cerca de 1% do orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao defender a proposta, Irajá destacou o trabalho desempenhado pelos agentes comunitários de saúde, que atuam em ações de vigilância epidemiológica, combate a doenças como dengue e leishmaniose, busca ativa de pessoas contaminadas, acompanhamento da vacinação infantil e programas de saúde da família.

De acordo com estimativa do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas (Dieese), baseada em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2024, o Brasil possui cerca de 345,2 mil agentes comunitários de saúde, incluindo agentes indígenas de saúde e de saneamento indígena. Todos serão beneficiados pela proposta.

A PEC estabelece que os profissionais poderão se aposentar após 25 anos de contribuição e de efetivo exercício na atividade. A idade mínima será de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, tanto para trabalhadores vinculados ao INSS quanto para aqueles submetidos aos regimes próprios de Previdência.

O texto também cria regras de transição para quem já exerce a profissão. Até o fim de 2030, será possível se aposentar aos 50 anos, no caso das mulheres, e aos 52 anos, para os homens, desde que cumpridos os 25 anos de contribuição e de efetivo exercício. As idades mínimas serão elevadas gradualmente até atingirem 57 anos para mulheres e 60 anos para homens a partir de 2041.

Outra previsão da proposta permite antecipar a aposentadoria em até cinco anos por meio de um bônus concedido aos profissionais que ultrapassarem os 25 anos mínimos de contribuição e exercício na atividade.

Além disso, a PEC institui uma regra de transição por pontos. Nesse modelo, será exigida idade mínima de 60 anos para mulheres e 63 anos para homens, pelo menos 15 anos de contribuição, dez anos de efetivo exercício na função e pontuação mínima de 83 pontos para mulheres e 86 pontos para homens.

A proposta também efetiva os vínculos temporários dos agentes comunitários de saúde. Como o texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, a PEC seguirá para promulgação após a conclusão da votação no Senado.

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Última atualização: 15/07/2026