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Roberta Luchsinger acumula dívidas e é investigada pela PF

Roberta Luchsinger acumula dívidas e é investigada pela PF

Processos apontam dívidas não pagas de Roberta Luchsinger em SP e MG. Empresária também é investigada pela PF por corrupção e tráfico de influência.

Ana VívianAna Vívian
31 de agosto de 2026
6 min de leitura
Policial

A empresária Roberta Luchsinger, que nas redes sociais compartilha viagens internacionais, restaurantes caros e uma rotina de alto padrão, acumula processos judiciais relacionados a dívidas não pagas em São Paulo e Minas Gerais. Levantamento sobre as ações mostra dificuldades para localizar a empresária para intimações e ausência de bens ou valores encontrados em contas bancárias para penhora. Roberta também é investigada pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção e tráfico de influência em Brasília.

Processos apontam diferentes tipos de dívidas

As ações judiciais envolvendo Roberta Luchsinger abrangem diferentes perfis de credores, incluindo profissionais autônomos, estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços.

Em diversas ocasiões, segundo os processos, oficiais de Justiça não conseguiram localizar a empresária nos endereços informados para realizar intimações. Também não foram encontrados bens ou valores em contas bancárias que pudessem ser utilizados para penhora.

Em duas ações, Roberta alegou não ter capacidade financeira para arcar com os custos dos processos.

Os processos também registram acordos que teriam sido firmados durante as execuções judiciais e posteriormente descumpridos.

Empresária é investigada pela Polícia Federal

Além das disputas relacionadas a dívidas, Roberta Luchsinger aparece em uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência em Brasília.

O inquérito apura possíveis ligações da empresária com Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete da Presidência; Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e Antônio Carlos Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Antônio Carlos Antunes é apontado na investigação como operador de fraudes em benefícios previdenciários e foi preso preventivamente.

Ao ser questionada sobre sua relação com Marco Aurélio Ribeiro, Roberta afirmou:

“Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia ‘linkar’ uma coisa na outra.”

Sobre Fábio Luís Lula da Silva, Roberta declarou que os dois são amigos.

“Eu e Fábio somos amigos. Já tivemos intenção de fazermos coisas juntos fora do âmbito público, porém, sabemos que qualquer coisa que ele faça sempre será mal vista.”

Relação com a política começou em 2011

A aproximação de Roberta Luchsinger com o meio político, segundo o levantamento, começou em 2011, quando ela se casou com o então deputado federal Protógenes Queiroz, do PCdoB.

O relacionamento terminou em 2014.

Anos depois, em 2017, Roberta passou a se apresentar publicamente como herdeira de um dos fundadores do banco suíço Credit Suisse.

Registros civis, porém, apontam que seu avô, Pedro Paulo Arnaldo Luchsinger, nasceu no Rio de Janeiro em 1927 e era proprietário de uma lavanderia.

Questionada sobre a origem suíça do familiar, a empresária informou que não possui documentos capazes de comprová-la.

Fazenda foi usada como garantia em projeto de filme

Um dos processos envolve um projeto de documentário sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani.

Em 2016, Roberta e uma sócia de uma produtora apresentaram o projeto ao investidor Lauro. O orçamento previsto era de US$ 4 milhões, que seriam obtidos por meio de um fundo de investimento do Bahrein.

Como o recurso internacional ainda não havia sido liberado, foi necessário contratar um empréstimo-ponte de US$ 300 mil, equivalente a aproximadamente R$ 1,5 milhão na cotação da época.

Roberta convenceu Lauro a atuar como avalista da operação. Como garantia, ofereceu uma fazenda de sua propriedade em Minas Gerais e, em troca, propôs participação na bilheteria e uma comissão de R$ 40 mil.

O investimento estrangeiro não foi concretizado e as parcelas do empréstimo não foram quitadas.

Com isso, o credor conseguiu na Justiça a posse da fazenda oferecida como garantia pelo avalista. O imóvel era avaliado em R$ 8 milhões.

Lauro afirmou que acreditou no projeto e lamentou a perda do patrimônio:

“O projeto do filme era bonito, uma história que valia a pena vender para investidores. Acabei aceitando a proposta. Tudo o que eu tinha estava lá. Não é a questão da propriedade em si, é o sonho.”

Segundo Roberta, ela também teria sido enganada pelo investidor responsável pelo projeto. A empresária afirmou ainda que o proprietário do imóvel tinha conhecimento dos riscos envolvidos na operação financeira.

Tapeceiro levou dívida à Justiça

Entre os credores está o tapeceiro Nilton Cezar. Em 2011, ele foi contratado por Roberta para reformar estofados, camas e revestimentos da residência dela.

O serviço custou R$ 61 mil. Segundo o processo, R$ 25 mil foram pagos inicialmente, mas o restante não foi quitado.

O profissional recorreu à Justiça e obteve decisões favoráveis em todas as instâncias, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Durante a execução, acordos foram firmados, mas acabaram descumpridos.

Nilton relatou o impacto financeiro provocado pela falta de pagamento:

“A gente tem um baque porque precisa pagar funcionário e aluguel do ponto. Chegamos a vender um carro por causa disso.”

Em uma tentativa de interromper o processo, Roberta ofereceu uma coleção de 14 gravuras avaliadas por ela em R$ 70 mil. As peças foram apresentadas como obras originais de Cândido Portinari.

O processo foi suspenso após a entrega das gravuras. Posteriormente, porém, o Projeto Portinari, entidade responsável pela autenticação do acervo do artista, informou que as peças eram reproduções impressas e não obras originais.

Outros processos envolvem escola, roupas e campanha política

O levantamento também aponta outras ações judiciais relacionadas a dívidas atribuídas à empresária.

Uma delas envolve uma instituição de ensino e cobra cerca de R$ 91 mil referentes a mensalidades escolares da filha que não teriam sido pagas ao longo de 2017.

Também há uma ação relacionada à compra de roupas no valor de R$ 6.124, realizada em 2017. Com a atualização determinada pela Justiça, a dívida ultrapassou R$ 21 mil.

Nesse caso, um quadro oferecido como garantia, avaliado pela ré em R$ 100 mil, desapareceu antes de ser levado a leilão judicial.

Outra cobrança envolve uma agência de publicidade contratada em 2022 para uma pré-campanha eleitoral. O serviço custou R$ 42 mil, mas, segundo o processo, apenas R$ 4.200 foram pagos.

Também existem processos trabalhistas movidos por uma babá e uma empregada doméstica demitidas sem o recebimento das verbas rescisórias. Os valores somavam aproximadamente R$ 50 mil, mas os processos prescreveram sem que os pagamentos fossem recebidos.

Despejo de apartamento de luxo

Outro processo envolve um apartamento de alto padrão em São Paulo.

Roberta passou a morar no imóvel em 2019. No ano seguinte, os proprietários, um casal de idosos que dependia do aluguel para complementar a renda, ingressaram com uma ação de despejo por causa da inadimplência de aluguel, condomínio e IPTU.

A desocupação ocorreu somente em 2023.

Durante a tramitação do processo, um dos proprietários morreu sem receber os valores devidos. A dívida chegou a R$ 500 mil e só foi quitada em maio de 2024.

Defesa se manifesta sobre os processos

Procurada para comentar os processos, Roberta Luchsinger não quis conceder entrevista gravada.

A empresária enviou uma relação com números dos processos e indicou quais ações já haviam sido arquivadas pelo Judiciário.

Em relação ao caso da fazenda em Minas Gerais, Roberta afirmou ter sido igualmente enganada pelo investidor responsável pelo projeto e sustentou que o proprietário do imóvel tinha conhecimento dos riscos da operação financeira.

Os processos judiciais e a investigação da Polícia Federal envolvem contextos distintos. As acusações investigadas pela PF ainda dependem da apuração das autoridades, enquanto as dívidas e disputas mencionadas são objeto de diferentes ações judiciais.

O conjunto dos processos, segundo o levantamento, mostra cobranças envolvendo desde serviços domésticos e profissionais até imóveis, educação, publicidade e operações financeiras.

Fonte: g1

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Última atualização: 31/08/2026