O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente com o helicóptero que matou o cantor Rick e outras quatro pessoas apontou que o gravador de voz da cabine não registrou o voo que terminou em queda. O documento também menciona relatos de falhas recorrentes nos geradores da aeronave e condições meteorológicas desfavoráveis no dia do acidente.
Segundo o relatório, as gravações do equipamento conhecido como CVR (Cockpit Voice Recorder), um dos componentes da caixa-preta, foram extraídas pelos investigadores, mas não correspondiam ao voo da ocorrência.
“As gravações do CVR (Cockpit Voice Recorder) foram extraídas pelo CENIPA, porém não correspondiam ao voo da ocorrência”, informa o documento.
Gravador não era obrigatório para a aeronave
De acordo com o Cenipa, o gravador de voz não era exigido pelos Regulamentos Brasileiros de Aviação Civil para o modelo envolvido no acidente. Apesar disso, o helicóptero possuía o equipamento instalado desde 17 de maio de 2002, com capacidade para armazenar 30 minutos de gravação.
A aeronave era um Bell 430, de prefixo PP-MGR. O helicóptero decolou às 10h30 do Aeródromo Costa Esmeralda (SDEN), em Porto Belo, com destino ao heliponto Metropolitan Criciúma. A previsão era de que o pouso ocorresse às 11h24.
Relatório menciona falhas recorrentes nos geradores
Outro ponto destacado na investigação preliminar é a existência de relatos de falhas intermitentes nos geradores do helicóptero. Conforme o documento, os problemas não teriam sido solucionados definitivamente.
O relatório também registra que algumas dessas falhas teriam ocorrido em situações de exposição à umidade, como durante voos dentro de nuvens ou sob chuva.
“Foram obtidos relatos de falhas intermitentes dos geradores da aeronave, algumas das quais teriam ocorrido em situações de exposição à umidade (voo dentro de nuvens/ou sob chuva)”, afirma o Cenipa.
As informações fazem parte do levantamento inicial sobre as circunstâncias do acidente. O relatório apresentado não estabelece, por si só, uma conclusão definitiva sobre as causas da queda.
Previsão indicava chuva e baixa visibilidade
As condições meteorológicas também aparecem entre os pontos registrados no documento. Segundo o relatório, a previsão para a região indicava chuva moderada, com visibilidade reduzida a 3 mil metros, além de trovoadas e formação de nuvens com potencial para tempestades.
O boletim meteorológico mencionava nuvens CB e TCU, com bases a 2.500 pés e topos acima de 10 mil pés. A previsão também indicava obscurecimento de montanhas na Serra Geral.
Além disso, uma troca de mensagens e chamadas telefônicas entre o copiloto do helicóptero e um operador do Aeroporto de Lages, em Santa Catarina, indica que havia preocupação com as condições climáticas no dia do voo. A conversa foi divulgada pelo programa Fantástico, da TV Globo.
Destroços foram encontrados após buscas
O helicóptero foi localizado no segundo dia de buscas, em uma área de difícil acesso na região de Santa Bárbara, em Urubici, Santa Catarina.
Segundo a tenente-coronel Heloísa Helena Battisti, comandante do 5º Batalhão de Bombeiros Militar, as equipes precisaram deixar as viaturas e caminhar por aproximadamente três horas até alcançar os destroços.
O relatório preliminar do Cenipa foi divulgado nesta quinta-feira, dia 22, e reúne informações sobre o equipamento de gravação, o histórico de falhas relatadas e as condições meteorológicas relacionadas ao voo.

