O Reino Unido prometeu nesta segunda-feira (24) ajudar a Ucrânia a fabricar mísseis de cruzeiro avançados, em uma medida que provocou reação da Rússia. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro britânico Andy Burnham durante sua primeira visita a Kiev desde que assumiu o cargo, há quase um mês.
Burnham participou das comemorações dos 35 anos de independência da Ucrânia e anunciou que o governo britânico pretende remover entraves à transferência de tecnologia necessária para que os ucranianos possam fabricar modelos Storm Shadow, utilizados desde 2003 em conjunto com o modelo francês Scalp-EG.
Reino Unido promete transferência de tecnologia
Os mísseis Storm Shadow já foram fornecidos à Ucrânia durante o conflito, mas o estoque disponível não é suficiente para atender às necessidades das forças ucranianas.
A promessa britânica, no entanto, não resolve o principal problema apontado no texto: a falta de munição para as baterias antiaéreas americanas Patriot. A escassez tem contribuído para uma maior eficácia dos ataques russos com mísseis balísticos e para o aumento da mortalidade de civis no conflito.
Além disso, a fabricação dos mísseis em território ucraniano ainda levaria anos. Mesmo com a retirada dos entraves burocráticos, seria necessário tempo para que uma linha de produção fosse instalada e entrasse em operação.
Enquanto isso, o governo de Volodimir Zelenski depende de doações e da aceleração da produção de modelos desenvolvidos internamente.
Ucrânia desenvolve míssil Flamingo
Entre os projetos domésticos está o Flamingo, um míssil de cruzeiro considerado mais rudimentar em comparação com o Storm Shadow e o Scalp-EG.
O modelo começou a ser utilizado contra alvos na Rússia e obteve resultados inicialmente positivos. Relatos, porém, indicam que Moscou passou a conseguir abatê-lo com facilidade utilizando vigilância realizada por aviões-radar.
Rússia reage ao anúncio
A promessa britânica provocou reação do Kremlin. O porta-voz russo Dmitri Peskov afirmou que a Rússia irá destruir qualquer fábrica de mísseis instalada na Ucrânia.
Peskov também acusou Londres de não querer avanços nas negociações de paz, que permanecem praticamente inexistentes.
Na semana anterior, Burnham já havia afirmado que manteria o apoio militar a Kiev após Moscou acusar Londres de participar diretamente do conflito por causa do fornecimento de drones utilizados contra cidades russas.
“Apesar das ameaças ultrajantes da Rússia a meu país, nós vamos continuar nosso apoio à Ucrânia”, afirmou Burnham nesta segunda-feira ao lado de Zelenski.
O primeiro-ministro britânico também comparou a resistência ucraniana à atuação do Reino Unido contra os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
Zelenski reafirma posição sobre a guerra
Durante o discurso pelo Dia da Independência, Zelenski manteve um tom desafiador em meio a uma crise política interna. O presidente ucraniano é pressionado por um popular ex-ministro da Defesa a realizar eleições, atualmente impedidas pela lei marcial declarada durante a guerra.
“Os ucranianos não serão paralelepípedos sob os pés de czares e governantes. Os ucranianos não vão se submeter àquilo em que não acreditam e não serão fichas de barganha na disputa de capitais”, afirmou.
Burnham e o presidente do Conselho Europeu, o português António Costa, estavam entre as principais autoridades presentes na cerimônia. Também participaram líderes da Finlândia, Noruega, Dinamarca e dos três Estados Bálticos.
Zelenski voltou a declarar que a Ucrânia deseja a paz, mas não pretende simplesmente se render. Segundo ele, a guerra ocorre devido ao que classificou como o “sonho maníaco” de uma pessoa de que a Ucrânia não deveria existir.
Combates continuam
Enquanto as declarações políticas eram realizadas em Kiev, os combates continuaram. Moscou afirmou ter tomado mais três vilarejos na Ucrânia, enquanto Kiev atacou uma fábrica militar na região de Rostov, no sul da Rússia.
Também houve troca de fogo no Mar Negro, e a Ucrânia afirmou ter derrubado um caça russo na região.
Kiev ainda voltou a atacar um depósito da Ozon, segunda maior varejista online da Rússia, desta vez no distante Daguestão, no Cáucaso.

