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Redução da maioridade penal volta ao debate na Câmara

Redução da maioridade penal volta ao debate na Câmara

Brasil tem 11,5 mil adolescentes em medidas socioeducativas enquanto CCJ retoma debate sobre redução da maioridade penal.

Carlos HenriqueCarlos Henrique
19 de maio de 2026
2 min de leitura
Política

O Brasil registra 11.542 adolescentes e jovens em medidas socioeducativas até abril de 2026, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os dados ganham destaque com a retomada, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, do debate sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em crimes hediondos.

Debate retorna ao Legislativo

A proposta foi apresentada em 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota e atualmente é relatada pelo deputado Coronel Assis. O tema voltou à pauta após ser retirado da PEC da Segurança Pública para tramitação separada.

Defendida por setores da oposição, a medida prevê a responsabilização penal de jovens a partir dos 16 anos em casos de crimes violentos.

Como funciona o sistema atual

Atualmente, adolescentes que cometem atos infracionais não são encaminhados ao sistema prisional comum, mas sim a medidas socioeducativas.

Entre elas estão a internação, internação provisória, semiliberdade e internação-sanção. Essas medidas têm como foco a responsabilização e a reeducação do jovem.

Perfil dos atos infracionais

De acordo com o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), mais de 58% dos atos infracionais cometidos por adolescentes em 2024 estão relacionados a roubo e tráfico de drogas.

Especialistas apontam que o debate muitas vezes é pautado por casos extremos. A pesquisadora Mariana Chies afirma que o uso desses episódios para justificar mudanças na legislação é “populista”.

Críticas e questionamentos

Segundo especialistas, o sistema socioeducativo oferece acesso a assistência social, saúde e políticas públicas que não estavam disponíveis anteriormente aos jovens.

O juiz Rafael Souza Cardoso, do Fórum Nacional da Justiça Juvenil (FONAJUV), destacou que a taxa de retorno ao sistema é menor entre adolescentes (24%) em comparação ao sistema prisional adulto, onde o índice é o dobro.

Para ele, a proposta de reduzir a maioridade penal representa uma mudança de modelo, substituindo a lógica socioeducativa por uma abordagem punitiva.

Encerramento

Além das discussões sobre eficácia, a proposta também enfrenta questionamentos jurídicos. Parte da doutrina considera a maioridade penal aos 18 anos como cláusula pétrea da Constituição.

O debate segue em análise na CCJ e deve continuar mobilizando parlamentares e especialistas diante dos impactos sociais e legais da possível mudança.

Tags

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Última atualização: 19/05/2026