A Assembleia de Especialistas do Irã anunciou neste domingo (8) a nomeação de Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo do Irã. Ele assume o posto após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, que ocupava a posição desde 1989.
A decisão foi tomada pelo colegiado formado por 88 clérigos islâmicos, responsável por escolher a principal autoridade política e religiosa do país. O líder supremo concentra grande parte do poder em Teerã e exerce forte influência sobre as instituições políticas, militares e religiosas do regime iraniano.
A última vez que o órgão precisou deliberar sobre a escolha de um novo líder foi há mais de 36 anos, também após a morte do então líder que antecedeu Ali Khamenei.
Papel do líder supremo no sistema político iraniano
No sistema político do Irã, o líder supremo é considerado a autoridade máxima do país. A função reúne poder religioso e político, refletindo a estrutura criada após a Revolução Islâmica do Irã de 1979.
O regime iraniano, dominado pela corrente xiita do islamismo, considera inseparáveis as esferas religiosa e política. Por esse motivo, os candidatos ao cargo costumam ser líderes religiosos de alto escalão, geralmente com o título de aiatolá.
É a Assembleia de Especialistas que avalia e escolhe o líder supremo, sendo também responsável por supervisionar sua atuação.
Influência dentro do establishment religioso
Mesmo sendo descrito como um clérigo de nível intermediário, Mojtaba Khamenei é considerado uma das figuras mais influentes dentro do establishment clerical iraniano.
Ao longo dos anos, ele ganhou destaque por sua atuação nos bastidores do poder e por manter relações próximas com a elite da Guarda Revolucionária do Irã, considerada a principal força político-militar do país e peça fundamental na sustentação do regime.
Especialistas apontam que essa relação contribuiu para fortalecer sua posição entre os nomes cotados para suceder seu pai no comando do país.
Atuação nos bastidores do governo
Apesar de raramente aparecer em público, Mojtaba construiu influência dentro do gabinete de Ali Khamenei.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, ele teria participado da coordenação de operações militares e de inteligência ligadas ao regime.
Além da atuação política, Mojtaba também se dedica ao ensino religioso, ministrando aulas em seminários xiitas, atividade que ajudou a consolidar sua posição dentro da hierarquia religiosa do Irã.
Ainda assim, pouco se sabe sobre suas posições políticas ou sobre como pretende exercer a liderança do país.
Linha-dura e ligação com forças de segurança
O novo líder supremo é frequentemente associado a uma postura política considerada linha-dura.
Analistas apontam que sua proximidade com a Guarda Revolucionária pode indicar continuidade na estratégia de segurança e na política externa do país.
Essa ligação também o colocou no centro de críticas relacionadas à repressão de protestos ocorridos no Irã ao longo das últimas décadas.
Entre os episódios citados está o chamado Movimento Verde, que ocorreu em 2009 após a contestação da reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Durante esse período, manifestações foram reprimidas por forças ligadas ao regime, incluindo milícias paramilitares.
Sucessão familiar gera debate no Irã
Apesar de já ser apontado há anos como possível sucessor de Ali Khamenei, a escolha de Mojtaba também gera controvérsia dentro e fora do país.
Isso ocorre porque a transmissão de poder de pai para filho não é bem vista em parte da tradição política do islamismo xiita.
Além disso, a própria Revolução Islâmica de 1979 derrubou uma monarquia e prometia evitar a concentração hereditária de poder.
Ainda assim, especialistas ouvidos pela imprensa internacional afirmam que a escolha do novo líder supremo sinaliza uma tentativa de garantir continuidade ao sistema político iraniano, especialmente em um momento de pressão internacional e tensões militares na região.
Contexto pessoal e momento delicado
A ascensão de Mojtaba ao posto mais poderoso do país ocorre em meio a um momento pessoal difícil.
Segundo a imprensa iraniana, ele perdeu familiares próximos em bombardeios ocorridos no dia 28, incluindo o pai, a mãe, a esposa e um filho pequeno.
Mesmo diante desse cenário, a Assembleia de Especialistas decidiu confirmar sua nomeação como novo líder supremo do Irã.
A partir de agora, Mojtaba Khamenei passa a comandar o país em um período marcado por desafios internos e externos, além de expectativas sobre qual será o rumo político adotado por sua liderança.

