Uma policial militar de 27 anos foi presa nesta terça-feira (11), em Itaitinga, na região metropolitana de Fortaleza, sob suspeita de envolvimento na morte do soldado da PM Raphael Sampaio da Silva, também de 27 anos. O corpo do policial foi encontrado carbonizado dentro de um carro no início da manhã, enquanto Júlia Natália Girão Gomes foi localizada horas depois com as mãos amarradas em uma área de matagal em Aquiraz, próxima à BR-116.
A Polícia Civil investiga a possibilidade de Júlia ter fingido ser vítima do crime para esconder um eventual envolvimento na morte do colega. A defesa nega a participação da policial e afirma que a prisão ocorreu de forma apressada e sem provas.
O advogado Walmir Medeiros declarou nesta quarta-feira (12) que Júlia estava muito abalada quando procurou as autoridades e apresentava dificuldades para organizar a sequência dos acontecimentos. Segundo ele, a policial estava confusa e chorava após presenciar a morte do colega.
De acordo com o relato apresentado pela policial, ela e Raphael estavam juntos em um carro quando um criminoso abordou o veículo e matou o soldado a tiros. Júlia teria sido retirada do automóvel, amarrada e levada para outro local, onde permaneceu durante a manhã.
Imagens levantaram suspeita
A versão apresentada por Júlia passou a ser questionada após investigadores obterem imagens de câmeras de segurança. As gravações mostram uma mulher que supostamente seria a policial em uma oficina mecânica pertencente ao marido dela no período em que, segundo seu depoimento, estaria amarrada no matagal.
Raphael foi encontrado após um alerta sobre um carro em chamas nas proximidades do bairro Ancuri. Durante o combate ao incêndio, o Corpo de Bombeiros identificou que havia um corpo dentro do veículo.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou que a perícia forense identificou que Raphael foi atingido por um tiro ainda vivo, antes de o corpo ser queimado. A polícia não informou uma possível motivação para o crime.
Defesa contesta prisão
O advogado de Júlia afirma que não existem provas de participação dela no homicídio. Segundo Walmir Medeiros, a morte de Raphael pode estar relacionada a facções criminosas que atuam na região e a policial poderia estar sendo utilizada pelos investigadores na tentativa de encontrar um responsável rapidamente.
A defesa também questiona a legalidade da prisão. Até o meio-dia desta quarta-feira (12), o auto de prisão em flagrante da policial ainda não havia sido protocolado pela Polícia Civil, procedimento necessário para o agendamento da audiência de custódia.
O marido de Júlia também foi levado para prestar depoimento na noite de terça-feira e acabou preso. Segundo a defesa, policiais entraram sem mandado judicial na casa da mãe dele, onde teriam encontrado documentos de identidade falsos e munições de revólver. O advogado afirma que houve flagrante ilegal e que pretende pedir o reconhecimento da ilicitude das provas.
Histórico dos envolvidos
Júlia já era investigada por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e participação em organização criminosa em um episódio sem relação com a morte de Raphael. O marido dela possui registros por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, participação em organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
Os dois policiais eram colegas de equipe na 2ª Companhia do 16º Batalhão de Polícia Militar. Raphael ingressou na Polícia Militar do Ceará em junho de 2022, enquanto Júlia entrou na corporação em novembro de 2024.
O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), lamentou a morte do policial e determinou rigor nas investigações. Segundo ele, os responsáveis pelo crime serão presos e entregues à Justiça.

