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Pilões celebra 73 anos de emancipação política nesta quinta-feira

Pilões celebra 73 anos de emancipação política nesta quinta-feira

Pilões, no Brejo da Paraíba, celebra 73 anos de emancipação política nesta quinta-feira (20), com história, natureza e tradição.

Carlos HenriqueCarlos Henrique
20 de agosto de 2026
6 min de leitura
Brejo

O município de Pilões, no Brejo da Paraíba, completa 73 anos de emancipação política nesta quinta-feira (20). A história da cidade, no entanto, começou muito antes de sua autonomia administrativa, passando por diferentes momentos de ocupação, mudanças territoriais, desenvolvimento econômico e preservação do patrimônio histórico e arqueológico.

A trajetória de Pilões está ligada ao processo de expansão da ocupação portuguesa pelo interior da Paraíba. Com o crescimento da influência comercial de Mamanguape, os habitantes passaram a avançar em direção ao oeste, contribuindo para o surgimento de novos núcleos populacionais.

Foi nesse processo que a região onde atualmente está localizado o município de Pilões passou a integrar essa área de influência. Registros históricos mencionam antigas concessões de terras na região, incluindo uma sesmaria de nove léguas pelo Araçagi-Mirim, concedida em 1816.

Segundo a tradição, os Arouxas e os Abreus estão entre as famílias relacionadas à fundação da localidade. Os registros sobre esses primeiros grupos, porém, são limitados.

A história administrativa da região passou por diferentes municípios. Em 1815, com a criação do município de Areia, Pilões passou a fazer parte daquela unidade administrativa, após ser desmembrada de Mamanguape.

Três anos depois, em 1818, um desentendimento entre o comandante do povoado de Pilões e o Capitão-Mor de Areia ficou registrado na história local. O episódio é apontado como uma demonstração do espírito de independência que já existia entre os habitantes da povoação.

Outro momento importante ocorreu com a construção da capela que posteriormente se tornaria a matriz do município. O templo passou a ser matriz em 1876, com a colaboração do Padre Ibiapina. O terreno onde a capela foi construída havia sido doado pelo morador João Cavalcante, descrito como um dos habitantes influentes da povoação.

A educação também começou a ganhar espaço na localidade. Depois de algumas interrupções, uma escola destinada ao público masculino foi definitivamente estabelecida em 1884, sob a regência do Padre Victor.

Durante esse período, a localidade era conhecida como Pilões de Dentro e fazia parte do território de Serraria.

Na organização administrativa do território paraibano, documentos de 1936 e 1937 registravam Pilões de Dentro como distrito de Serraria. Em 15 de novembro de 1938, a Lei Estadual nº 1.164 determinou que o distrito passasse a se chamar Entre Rios.

O novo nome permaneceu durante alguns anos. Em 31 de dezembro de 1943, por meio do Decreto-Lei Estadual nº 520, o distrito de Entre Rios passou a ser denominado novamente Pilões.

A mudança definitiva veio quase uma década depois. Em 20 de agosto de 1953, a Lei Estadual nº 916 elevou Pilões à categoria de município, desmembrando-o de Serraria.

A instalação oficial do município aconteceu em 1º de janeiro de 1954. A partir daquele momento, Pilões passou a ter autonomia administrativa e iniciou uma nova etapa de sua trajetória como município paraibano.

Mas a história do território é ainda mais antiga do que os registros da formação da povoação. Em 2009, durante as escavações para a construção da subestação de Pilões, foram encontrados vestígios que revelaram a existência de um sítio-cemitério pré-histórico indígena.

As descobertas trouxeram à tona materiais associados às tradições ceramistas Aratu e Tupiguarani, mostrando que a região já era ocupada por povos indígenas muito antes da formação do município.

Como não era possível preservar o sítio arqueológico no próprio local, foi realizado um trabalho de salvamento arqueológico. As escavações resultaram no resgate de conjuntos funerários e diversos artefatos.

Durante o trabalho, a comunidade pôde acompanhar as escavações, que foram abertas ao público. A execução do projeto também contou com mão de obra local, que recebeu treinamento antes de trabalhar junto à equipe técnica.

Entre os materiais encontrados estão urnas funerárias com e sem tampa, panelas, tigelas, pratos ou assadores, fusos, cachimbos de cerâmica e materiais líticos.

O material arqueológico foi posteriormente encaminhado ao Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, onde passou por processos de curadoria e restauração. Depois, permaneceu temporariamente sob responsabilidade da instituição até ser transferido para Pilões.

A preservação desse patrimônio ganhou um espaço próprio no município. O prédio do antigo Mercado Público de Pilões foi cedido pela Prefeitura e reformado para receber o Museu de Arqueologia de Pilões.

A reforma foi realizada pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Eletrobras Chesf), em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e outras entidades.

Em 19 de junho de 2023, as peças foram recebidas pela equipe da Prefeitura de Pilões e pelo arqueólogo Juvandi de Souza Santos, responsável pelo Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da Universidade Estadual da Paraíba.

Atualmente, o Museu de Arqueologia de Pilões abriga uma coleção com mais de 200 peças arqueológicas e conjuntos funerários relacionados às tradições Aratu e Tupiguarani. O espaço passou a integrar o patrimônio cultural do município e ajuda a preservar parte da história dos povos que habitaram a região antes mesmo de sua formação administrativa.

Ao longo das décadas, Pilões também desenvolveu atividades econômicas próprias. Durante muito tempo, a produção de cana-de-açúcar teve papel importante na economia local, principalmente para a fabricação de rapadura e cachaça.

Com o passar dos anos, outras atividades ganharam espaço. Atualmente, a produção de banana, urucum, castanha de caju e mandioca, além da criação de bovinos e caprinos, está entre as fontes da economia do município.

Mais recentemente, a produção de flores passou a ocupar lugar de destaque. Em 2005, Pilões registrou a primeira flor cultivada em estufa da Paraíba.

Desde então, a floricultura cresceu e se tornou um dos elementos da economia piloense. A Cooperativa de Floricultores do Estado da Paraíba (Cofep) produz entre 200 e 400 pacotes de flores por semana, comercializados na Paraíba e também em estados vizinhos, como Pernambuco e Rio Grande do Norte.

A produção inclui diferentes espécies, entre elas flores do campo, margaridas e gérberas. A cooperativa também recebe visitantes mediante agendamento.

Além da história e das atividades econômicas, Pilões possui características naturais que ajudam a formar sua identidade. O município conta com rios perenes, cachoeiras e pequenos córregos que integram a bacia hidrográfica do Rio Mamanguape.

A paisagem é marcada por relevo movimentado, com vales profundos e estreitos e montanhas com altitude média de aproximadamente 400 metros acima do nível do mar. A região também apresenta remanescentes de Mata Atlântica, com vegetação formada por Florestas Subcaducifólica e Caducifólica.

Com área de 64,4 km², Pilões está inserido no Brejo Paraibano e tem sua história marcada por diferentes fases: dos primeiros núcleos de ocupação e das mudanças administrativas à emancipação política, passando pela agricultura, pela floricultura, pela preservação ambiental e pela descoberta de vestígios arqueológicos.

Nesta quinta-feira (20), ao completar 73 anos de emancipação política, o município celebra uma trajetória que não começou em 1953. A data representa um marco administrativo, mas a história de Pilões se estende por séculos e continua sendo contada por suas paisagens, atividades econômicas, patrimônio histórico e pelos vestígios deixados pelos povos que ocuparam seu território muito antes da criação do município.

Fontes: Prefeitura Municipal de Pilões, IBGE, Paraibapontocultural, Wikipédia, Brasildefato.

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Última atualização: 20/08/2026