A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (6), a Operação Véu de Maia para investigar um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligado à exploração ilegal de apostas no Brasil. A ação tem como alvo 87 empresas suspeitas de atuar como laranjas de plataformas clandestinas de apostas e de realizar remessas ilegais de recursos ao exterior por meio de criptoativos.
Os policiais cumprem nove mandados de busca e apreensão nas cidades de Aparecida de Goiânia e Goiânia (GO), São Paulo e Ribeirão Preto (SP), além de Porto Alegre e Canoas (RS). As diligências são direcionadas às pessoas responsáveis pela abertura das supostas empresas de fachada. Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa.
Durante o cumprimento de um dos mandados em Canoas (RS), os agentes localizaram quatro armas de fogo sem registro. O morador do imóvel foi preso em flagrante.
As investigações tiveram início após informações encaminhadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. Os indícios de exploração irregular de apostas foram identificados em maio de 2025 e repassados aos órgãos responsáveis pela apuração.
Em nota, o Ministério da Fazenda informou que, paralelamente às investigações, solicitou o bloqueio dos domínios eletrônicos identificados como irregulares. A pasta, no entanto, não divulgou os nomes das plataformas investigadas.
O governo considera clandestinos os sites de apostas que não obtiveram licenciamento junto ao Ministério da Fazenda. Segundo as regras vigentes, essas empresas operam sem cumprir exigências como o pagamento da taxa de R$ 30 milhões para autorização, o recolhimento de tributos, a observância de normas de publicidade e a adoção do sistema de autoexclusão destinado aos usuários das plataformas regularizadas.
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, cerca de 300 operadores estariam por trás de quase 50 mil sites ilegais já derrubados, utilizando 37 instituições financeiras para processar pagamentos.
O combate às bets clandestinas e aos chamados mercados de previsão tem sido um dos principais temas discutidos entre o setor de apostas e o governo.
Segundo estimativas da H2 Gambling Capital, com base em dados do Banco Central sobre remessas ao exterior, movimentação de criptomoedas e tráfego na internet, o mercado clandestino movimentou R$ 16,3 bilhões em 2025.
Já um estudo da consultoria LCA, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), estima que as bets clandestinas representaram entre 41% e 51% de todo o mercado de apostas no país. Nesse cenário, o volume movimentado pelas operações ilegais pode variar entre R$ 26 bilhões e R$ 39 bilhões.

