A Polícia Federal investiga um grupo empresarial suspeito de utilizar estruturas financeiras e societárias no exterior para ocultar a origem e o destino de dinheiro obtido por meio de jogos de azar e apostas esportivas.
Segundo as investigações, a soma dos valores movimentados seria resultado de exploração considerada ilícita desde 2012. Para a PF, parte dos recursos teria sido remetida para uma empresa que, segundo a investigação, nunca existiu.
A apuração sustenta ainda que o dinheiro utilizado para habilitar a exploração da atividade da Pixbet teria origem na exploração ilegal de apostas.
Como funcionaria o suposto esquema
De acordo com a Polícia Federal, os valores obtidos por meio das apostas seriam enviados ao exterior por empresas responsáveis pela compensação financeira.
Depois, o dinheiro seria recebido por uma empresa de fachada registrada em Curaçao, território conhecido por funcionar como paraíso fiscal. Segundo a investigação, a empresa não teria funcionários nem atividade econômica efetiva.
Após receber os recursos, os sócios da empresa solicitariam pagamentos apresentados como prestação de serviços. Para justificar as operações, seriam utilizadas notas fiscais emitidas pela companhia registrada em Curaçao.
Ainda conforme a PF, os serviços descritos nos documentos não teriam sido efetivamente realizados.
Dinheiro retornaria ao Brasil
Com a documentação utilizada para dar aparência legal às operações, os valores retornariam ao Brasil como pagamentos por supostos serviços contratados no exterior.
A investigação aponta que esse processo faria o dinheiro aparentar ter origem lícita. Posteriormente, os recursos retornariam ao patrimônio da própria empresa ou dos sócios envolvidos.
A PF também aponta que o processo de envio do dinheiro para o exterior seria uma simulação e que os valores teriam sido objeto de evasão.
Operação Arena cumpriu 19 mandados
A investigação faz parte da Operação Arena, que apura a atuação de um grupo empresarial suspeito de utilizar estruturas no exterior para ocultar recursos relacionados a jogos de azar e apostas esportivas.
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão na Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.
Além das buscas, a Justiça determinou medidas de quebra de sigilo bancário e telemático e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão.
Na Paraíba, a sede da Pixbet, em Campina Grande, foi alvo de busca e apreensão. A residência de um homem apontado como "laranja" do grupo também foi alvo da operação.
Ministério da Fazenda suspendeu operação da Pixbet
O Ministério da Fazenda determinou a suspensão imediata da operação da Pixbet. A medida cautelar também estabeleceu o cancelamento das apostas em andamento e a devolução dos valores apostados aos usuários.
A decisão ocorre no contexto das investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o grupo empresarial.
Os investigados podem responder por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional, conforme as suspeitas investigadas na Operação Arena.
Defesa diz que foi pega de surpresa
A defesa da Pixbet afirmou que não teve acesso à determinação que autorizou a operação da Polícia Federal.
Em posicionamento divulgado ao g1, a defesa disse que a empresa foi "pega de surpresa" com a ação. Segundo os advogados, uma manifestação será apresentada quando houver acesso à decisão judicial.
Advogado também foi alvo da operação
A Operação Arena também atingiu o advogado Nelson Wilians. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido em uma residência dele em São Paulo, por determinação da Justiça da Paraíba.
Por meio de nota, o advogado Santiago Schunck, que representa Wilians, afirmou que a relação entre o escritório e a Pixbet "é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia".
As investigações seguem para esclarecer a origem e o destino dos recursos e a participação dos envolvidos no suposto esquema.
Fonte: G1 Paraiba
