Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveram uma tecnologia inédita para a produção de um creme dental a partir do óleo essencial da espécie Tetradenia riparia, planta popularmente conhecida como mirra, incenso, pluma-de-névoa ou falsa-mirra. O invento representa uma nova possibilidade de produto natural para a higiene bucal e apresenta potencial para fortalecer a bioeconomia local.
Diferentemente dos cremes dentais tradicionais, que utilizam o flúor como principal agente no combate às cáries, a nova tecnologia criada pela UFPB propõe uma alternativa baseada nas propriedades naturais da planta.
Planta possui propriedades farmacológicas reconhecidas
A Tetradenia riparia é uma espécie originária do sul da África, pertencente ao grupo das angiospermas. Introduzida no Brasil como uma planta exótica, ela é frequentemente encontrada próxima a residências por sua capacidade de auxiliar no afastamento de mosquitos.
De acordo com a professora Melânia Cordeiro, do Departamento de Engenharia Química da UFPB e uma das inventoras da tecnologia, a espécie apresenta propriedades importantes, mas ainda possui poucas aplicações industriais estudadas.
“A espécie tem reconhecidas propriedades farmacológicas, com atividades antioxidantes, analgésicas e bactericidas, mas ainda é pouco estudada quanto à sua aplicação industrial, daí a relevância social e científica do nosso invento, que traz uma aplicação inédita para a Tetradenia riparia”, destacou a pesquisadora.

Testes indicaram boa estabilidade e aceitação do produto
Nos testes realizados pelos pesquisadores, o creme dental desenvolvido pela UFPB foi comparado com pastas de dente comerciais e apresentou resultados positivos. O produto manteve brilho e consistência durante os testes de estabilidade, demonstrando potencial para futuras aplicações industriais.
Além dos testes laboratoriais, a equipe também realizou uma avaliação inicial de aceitação do produto entre usuários.
Segundo Melânia Cordeiro, os participantes relataram sensação de limpeza prolongada após o uso do creme dental.
“Nós realizamos um pequeno teste para verificar a aceitabilidade do produto. As pessoas que usaram relataram que perceberam que os dentes e a boca ficaram com uma sensação de limpeza por mais tempo do que com o dentifrício convencional”, afirmou.
A pesquisadora acrescentou que alguns usuários que possuíam gengivite também relataram melhora durante o período de utilização do creme dental.
Tecnologia teve pedido de patente registrado
O desenvolvimento da tecnologia resultou no depósito de um pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), garantindo a proteção da inovação criada na universidade.
Além da professora Melânia Cordeiro, também assinam o invento os pesquisadores Josilene de Assis Cavalcante, Yuri Mangueira do Nascimento, José Maria Barbosa Filho e Felipe Queiroga Sarmento Guerra, todos vinculados à UFPB.
A descoberta abre caminho para novas pesquisas e para o possível desenvolvimento de um produto natural com potencial de aplicação no mercado, agregando valor científico e econômico à biodiversidade explorada pela pesquisa paraibana.
Fonte: UFPB

