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Pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram assédio

Pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram assédio

Levantamento mostra que 7 em cada 10 mulheres já sofreram assédio, principalmente em ruas e transporte público.

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Luis Gomes
6 de março de 2026
3 min de leitura
Brasil

Sete em cada dez mulheres afirmam já ter sofrido assédio em algum momento da vida, segundo a pesquisa “Viver nas Cidades: Mulheres 2026”. O levantamento indica que os episódios ocorrem principalmente em espaços públicos, como ruas e transportes coletivos.

O estudo foi realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pelo Ipsos-Ipec, com apoio do Sesc-SP e da Fundação Grupo Volkswagen. A pesquisa ouviu 3.500 pessoas com mais de 16 anos que vivem em dez capitais brasileiras: Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia. As entrevistas foram realizadas online entre 2 e 27 de dezembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

De acordo com os resultados, 71% das mulheres relataram já ter sofrido algum tipo de assédio. Entre os locais mais citados estão ruas e outros espaços públicos, como praças, parques e praias, mencionados por 56% das entrevistadas. O transporte público aparece em seguida, com 51% dos relatos.

Outros ambientes também foram apontados como locais de ocorrência. Cerca de 38% das mulheres disseram ter sido vítimas de assédio no trabalho, enquanto 28% relataram episódios dentro do ambiente familiar. Bares e casas noturnas foram mencionados por 33% das entrevistadas, e 17% disseram ter sofrido assédio em transportes particulares, como táxis ou carros por aplicativo.

Segundo Jennifer Caroline Luiz, supervisora da área de gestão da Fundação Grupo Volkswagen, o número de casos pode ser ainda maior do que o registrado. Ela afirma que fatores como dor ou vergonha podem dificultar que vítimas relatem situações de assédio, embora o formato online da pesquisa ajude a reduzir esse tipo de barreira.

A análise também mostrou que o grupo etário com maior incidência de relatos de assédio é o de mulheres entre 45 e 59 anos. De acordo com Jennifer, mulheres mais jovens, entre 16 e 24 anos, tendem a reconhecer e denunciar situações de assédio com mais facilidade, enquanto gerações mais antigas viveram em contextos em que o machismo era mais naturalizado.

O levantamento ainda questionou os participantes sobre medidas consideradas eficazes para combater a violência doméstica e familiar. Entre as mulheres, a proposta mais citada foi o aumento das penas para quem comete violência contra a mulher, mencionada por 59% das entrevistadas. Em seguida aparece a ampliação dos serviços de proteção às vítimas em todas as regiões da cidade, apontada por 52%.

Entre os homens, essas também foram as medidas mais citadas, com 48% e 45% das respostas, respectivamente.

A pesquisa também investigou a percepção sobre igualdade de gênero nas tarefas domésticas e identificou diferenças significativas entre homens e mulheres. Para 51% dos homens, os afazeres domésticos são divididos igualmente em suas casas. Já entre as mulheres, apenas 29% afirmaram que a divisão é igualitária.

Além disso, 28% dos homens disseram acreditar que as tarefas domésticas são responsabilidade de ambos, mas reconheceram que as mulheres acabam realizando a maior parte. Entre as mulheres, 43% afirmaram assumir a maior carga dessas atividades.

Para Jennifer Caroline Luiz, essa diferença de percepção reflete a desigualdade de gênero. Segundo ela, muitas mulheres identificam mais claramente a sobrecarga doméstica, enquanto parte dos homens acredita que as responsabilidades já são divididas de forma equilibrada.

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Última atualização: 06/03/2026