A idosa Milce Daniel Pereira, encontrada morta após sete dias desaparecida, pode ter chegado com vida ao local onde o corpo foi localizado, em uma área de mata em Bayeux, na Grande João Pessoa. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (29) pela perícia do Instituto de Polícia Científica da Paraíba, responsável pela análise inicial da cena.
Perícia aponta indícios de que vítima chegou viva
De acordo com o perito Aldenir Lins, os vestígios encontrados no local indicam que a idosa possivelmente ainda estava viva ao chegar à área de mata.
“Possivelmente, pelas condições que a gente viu, ela veio com vida até o local, tendo em vista que a sandália estava com ela, sandália de dedo, que seria muito fácil de ser perdida no local, as condições das vestes também, posição do corpo no local”, explicou.
A análise preliminar considera fatores como a presença de objetos pessoais e o estado das roupas para levantar hipóteses sobre os últimos momentos da vítima.
Causa da morte ainda é desconhecida
Apesar dos indícios iniciais, a perícia reforça que ainda não é possível determinar a causa da morte. Segundo o especialista, apenas exames mais detalhados poderão esclarecer se houve violência ou se a morte ocorreu por causas naturais.
“Não é possível falar se foi uma morte violenta ou uma morte natural. Ainda é muito precoce chegar a fazer uma afirmação dessa natureza”, afirmou o perito.
A necrópsia e outras análises laboratoriais devem fornecer respostas mais conclusivas sobre o caso.
Elementos encontrados no local levantam hipóteses
Durante a análise da cena, um detalhe chamou a atenção dos peritos: uma peça íntima da vítima foi encontrada próxima ao corpo, e não vestida.
No entanto, o perito destacou que não há, até o momento, elementos que confirmem qualquer tipo de violência sexual.
“Não é possível afirmar se ela tirou por alguma necessidade fisiológica ou se houve outra situação. Não podemos fazer nenhuma correlação com crime sexual ou violência sexual”, disse.
As roupas também serão submetidas a exames minuciosos para verificar possíveis danos ou sinais de agressão.
Amigo da vítima foi ouvido e liberado
O amigo Willis Cosmo, última pessoa a ver a idosa antes do desaparecimento, foi conduzido à delegacia após a localização do corpo, mas acabou sendo liberado após prestar esclarecimentos.
Segundo o delegado Douglas Garcia, ele não é considerado suspeito no momento e tem colaborado com as investigações.
“O senhor Willis não é investigado ainda, não figura como investigado e está sendo colaborativo com a polícia”, explicou.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil da Paraíba informou que o caso ainda é tratado oficialmente como desaparecimento, podendo evoluir para morte natural ou homicídio, dependendo dos resultados periciais.
O delegado destacou que diversas pessoas ainda são de interesse da investigação, mas nenhuma foi apontada como suspeita até agora.
“Somente com as provas técnicas nós vamos direcionar nossa investigação e modificar ou não nosso inquérito”, afirmou.
Medidas para evitar retaliações
Devido à repercussão do caso, a polícia tem adotado medidas de segurança ao conduzir testemunhas para depoimentos, evitando possíveis reações da população.
Segundo o delegado, equipes policiais acompanham o deslocamento do amigo da vítima sempre que ele é chamado a prestar esclarecimentos.
A morte de Milce Daniel Pereira segue cercada de dúvidas e depende de laudos periciais para ser esclarecida. Enquanto isso, a Polícia Civil aguarda os resultados dos exames para definir os próximos passos da investigação e determinar se houve crime ou se a morte ocorreu por causas naturais.
Fonte: Jornal da Paraíba

