Os pais suspeitos de matar o próprio filho, um bebê de 23 dias, com 24 golpes de faca, em Patos, no Sertão da Paraíba, foram indiciados pela Polícia Civil após a conclusão do inquérito. A informação foi confirmada pelo delegado Gilson Duarte à TV Paraíba.
Segundo a investigação, a mãe foi indiciada por homicídio triplamente qualificado, enquanto o pai responde por homicídio qualificado, com omissão imprópria. Apesar da conclusão do inquérito, alguns laudos periciais e a reprodução simulada dos fatos ainda estão pendentes para a elaboração de um relatório complementar.
Os dois suspeitos têm 19 anos e estão presos em unidades penitenciárias de João Pessoa. Eles foram ouvidos novamente durante a investigação e apresentaram versões que, conforme a Polícia Civil, não encontram respaldo nos vestígios identificados na cena do crime.
Pais apresentaram versões sem respaldo na perícia
De acordo com o delegado Gilson Duarte, os depoimentos mais recentes dos investigados foram confrontados com os elementos reunidos durante a apuração.
Segundo a Polícia Civil, as versões apresentadas pelos pais estavam “sem respaldo com os achados da cena do crime”.
Mesmo com o indiciamento, a investigação ainda prevê a conclusão de procedimentos técnicos. Entre as etapas pendentes estão alguns laudos e a reprodução simulada dos fatos, que deverão contribuir para o relatório complementar do caso.
O indiciamento representa a conclusão da Polícia Civil sobre os elementos reunidos no inquérito e a atribuição de suspeita formal aos investigados. A responsabilização criminal definitiva depende do processo judicial.
Mãe foi indiciada por homicídio triplamente qualificado
A Polícia Civil indiciou a mãe do bebê por homicídio triplamente qualificado. Já o pai foi indiciado por homicídio qualificado, com omissão imprópria.
Os dois foram presos em flagrante no dia 14 de outubro, data em que a criança foi encontrada morta. No dia seguinte, as prisões foram convertidas em preventivas.
A mulher, identificada como Mirelly Laila Lucena Braz, está presa na Penitenciária Júlia Maranhão, em João Pessoa. O homem, identificado como Marcos Gabriel Santos Pacheco, está custodiado na Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, conhecida como PB1, também na capital paraibana.
Perícia identificou 24 golpes de faca no bebê
O exame pericial apontou que a criança sofreu 24 ferimentos provocados por faca. Conforme informações divulgadas pelo perito do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Patos, Dionísio Filho, o bebê não morreu imediatamente após os golpes.
Segundo o perito, a criança agonizou antes de morrer. Uma das facadas atingiu o coração.
Dos 24 ferimentos identificados, 13 estavam na parte posterior do corpo, incluindo as costas e os braços. Os outros 11 foram registrados na parte frontal, atingindo regiões como abdômen, rosto e tórax.
As informações sobre a perícia foram divulgadas pela TV Paraíba.
Samu encontrou bebê sem sinais de vida
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado pela Polícia Militar para atender à ocorrência na manhã de 14 de outubro, em Patos.
Quando a equipe chegou ao local, encontrou o bebê sobre uma cama, já sem sinais de vida. O médico responsável pelo atendimento identificou diversas perfurações provocadas por faca, principalmente na região abdominal, além de ferimentos em outras partes do corpo.
A criança era do sexo masculino e tinha apenas 23 dias de vida.
Após a constatação da morte, o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil, que reuniu informações sobre as circunstâncias do crime e ouviu os pais do bebê.
Pais estavam juntos na residência no dia do crime
Segundo informações repassadas pelo delegado Gilson Duarte, o pai e a mãe estavam separados havia algum tempo, mas estiveram juntos na mesma residência no dia da morte da criança.
De acordo com a Polícia Civil, a mulher teria ido a Patos para retirar alguns móveis da casa. Essa versão foi apresentada por ela durante depoimento.
A investigação também apurou que a mulher teria outro relacionamento com uma pessoa de São Bento, município localizado no Sertão da Paraíba.
Essas informações fazem parte do contexto reunido durante a apuração das circunstâncias da morte do bebê.
Investigação terá relatório complementar
Embora a Polícia Civil tenha concluído o inquérito e indiciado os dois suspeitos, ainda há diligências técnicas pendentes.
A conclusão dos laudos e a reprodução simulada dos fatos deverão integrar um relatório complementar, conforme informado pela polícia.
Os dois investigados permanecem presos preventivamente, enquanto o caso segue para as próximas etapas da tramitação judicial.
Fonte: Jornal da Paraiba

