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Padre Nazareno Lanciotti é beatificado em Jauru (MT)

Padre Nazareno Lanciotti é beatificado em Jauru (MT)

Padre Nazareno Lanciotti é beatificado em Jauru (MT) 25 anos após morte. Vaticano reconhece martírio por defesa dos pobres e denúncia de abusos.

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Luis Gomes
17 de junho de 2026
3 min de leitura
Internacional

O padre italiano Nazareno Lanciotti foi beatificado no último sábado (13), em cerimônia realizada em Jauru, no oeste de Mato Grosso. O reconhecimento ocorreu 25 anos após sua morte, quando foi assassinado em 2001 após denunciar casos de exploração sexual e atuar na defesa de comunidades pobres da região. A Igreja Católica confirmou o martírio do religioso, considerado morto “por ódio à fé”.

Cerimônia reúne fiéis e autoridades em Jauru

A celebração da beatificação reuniu milhares de fiéis no município onde o sacerdote construiu sua trajetória missionária. Caravanas de diferentes estados brasileiros e de países como Peru e Argentina participaram do evento.

A missa foi presidida pelo cardeal João Braz de Aviz, representante do Vaticano, que leu a carta apostólica oficializando o reconhecimento de Nazareno Lanciotti como mártir da Igreja Católica. A cerimônia durou cerca de quatro horas e contou com a presença de autoridades religiosas e civis.

Papa Leão 14 destaca legado do missionário

Um dia após a cerimônia, o papa Leão 14 mencionou o religioso durante a oração do Angelus, no Vaticano. O pontífice afirmou que Lanciotti foi reconhecido como mártir por defender os pobres “em nome do Evangelho” e destacou sua trajetória missionária no Brasil.

O papa também afirmou que o exemplo do sacerdote deve inspirar presbíteros e toda a Igreja, reforçando a importância de sua atuação pastoral e social.

Atuação social e missão em Mato Grosso

Natural de Roma, Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil em 1971 e atuou em Jauru, onde desenvolveu projetos religiosos e sociais. Ele criou 57 comunidades eclesiais rurais, implantou adoração eucarística diária e fundou centros de apoio a gestantes, idosos e pessoas com deficiência.

Também abriu uma escola para centenas de crianças e instituiu um seminário menor. Em 1987, passou a integrar o Movimento Sacerdotal Mariano, tornando-se diretor nacional da organização no Brasil.

Sua atuação ocorreu em uma região marcada por conflitos fundiários e denúncias de exploração sexual de adolescentes, causas que ele defendia publicamente.

Assassinato e reconhecimento do martírio

O sacerdote foi assassinado em 11 de fevereiro de 2001, durante um assalto na casa paroquial após celebrar missa. Testemunhas relataram que ele foi alvo de violência após tentar proteger outras pessoas presentes no local.

Ele chegou a ser socorrido e transferido para São Paulo, onde morreu no dia 22 de fevereiro de 2001, aos 61 anos. Segundo relatos reunidos pela Igreja, o padre teria perdoado os responsáveis antes de morrer.

Em 2025, o papa Francisco autorizou o reconhecimento do martírio, entendido pelo Vaticano como morte decorrente de “ódio à fé”, o que abriu caminho para a beatificação.

Devoção e próximos passos no processo de canonização

Com a beatificação, cresce a expectativa de peregrinações a Jauru, onde o túmulo de Lanciotti já se tornou local de oração. Fiéis relatam graças atribuídas à sua intercessão, e ao menos oito supostos milagres foram incluídos no processo de canonização.

Na Igreja Católica, a beatificação é uma das etapas do caminho para a santidade, que ainda pode levar à canonização caso novos milagres sejam reconhecidos pelo Vaticano.

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Última atualização: 17/06/2026