O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), afirmou nesta terça-feira (8) que as chamadas canetas emagrecedoras devem ser incorporadas definitivamente ao Sistema Único de Saúde (SUS) nos próximos anos. Segundo ele, os medicamentos serão utilizados dentro de protocolos específicos para doenças, como a obesidade, e não como ferramentas voltadas a fins estéticos.
Padilha afirmou que os medicamentos podem ter papel importante para pacientes que aguardam cirurgia bariátrica ou apresentam problemas cardiovasculares. Ele também mencionou a possibilidade de utilização por mulheres em tratamento contra o câncer de mama, diante de estudos que avaliam possíveis efeitos dos produtos sobre alguns tumores.
Canetas ainda não têm oferta ampla no SUS
Atualmente, as canetas emagrecedoras não estão incorporadas de forma ampla ao SUS. Existem experiências direcionadas a um número reduzido de pacientes no município do Rio de Janeiro, além de protocolos envolvendo as gestões estaduais do Rio e de Goiás e o Distrito Federal.
Padilha abordou o tema durante um evento promovido pelo canal Amado Mundo, que reuniu representantes de campanhas à Presidência da República para discutir propostas para a área da saúde até 2030.
O ministro afirmou que, nos próximos anos, medicamentos destinados ao tratamento do diabetes e da obesidade estarão disponíveis no SUS, mas não estabeleceu um prazo para que a oferta seja efetivada.
Ministério da Saúde realiza estudo com pacientes
O Ministério da Saúde também conduz um estudo em uma unidade do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. A pesquisa envolve cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças e que possuem indicação para cirurgia bariátrica.
Segundo Padilha, esse é o principal protocolo atualmente em análise para avaliar a utilização dos medicamentos.
As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo organismo e que participa do controle dos níveis de glicose no sangue e dos mecanismos de saciedade.
Entre os principais medicamentos estão os que utilizam semaglutida, como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, além de versões nacionais, como Ozivy, da EMS. A tirzepatida, presente no Mounjaro, da Eli Lilly, também atua sobre o receptor do hormônio GIP.
Pressão por ampliação da oferta preocupa especialistas
Existe pressão de consumidores, parte da indústria e do meio político para ampliar o acesso aos medicamentos e reduzir os custos dos tratamentos.
Ao mesmo tempo, associações e sociedades médicas demonstram preocupação com o aumento do consumo para fins estéticos ou fora das indicações de bula, além da popularização de versões manipuladas e de medicamentos trazidos do Paraguai.
A Novo Nordisk renovou neste ano o pedido à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) para levar o Wegovy à rede pública. A proposta prevê o atendimento de pacientes com obesidade que já sofreram infarto.
Na análise anterior, realizada em 2025 e destinada a um público mais amplo, a Conitec negou a incorporação ao apontar um impacto de até R$ 8 bilhões aos cofres públicos.
Na nova proposta, a empresa estima que 38.598 pacientes poderiam receber o tratamento caso a incorporação seja aprovada. O custo estimado varia entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões por ano.
Anvisa aprovou versões nacionais da semaglutida
No ano passado, a disputa pelo mercado de medicamentos para emagrecimento ganhou participação direta do governo federal. A Anvisa, atendendo a um pedido do Ministério da Saúde, priorizou 20 pedidos de medicamentos para emagrecimento contendo liraglutida ou semaglutida.
Em maio, a agência aprovou a primeira caneta de semaglutida fabricada por uma indústria nacional, a Ozivy, da EMS. Desde então, outras versões do medicamento foram aprovadas, incluindo dois genéricos, que são ao menos 35% mais baratos que o produto de referência.

