As investigações apontam que dois proprietários de seis casas de prostituição são suspeitos de envolvimento em crimes de tráfico de pessoas, submissão de trabalhadoras a condições análogas à escravidão e exploração sexual. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), as mulheres eram aliciadas em outros estados e levadas para estabelecimentos localizados na Paraíba, considerada o principal centro de atuação da organização.
Até o momento, 22 mulheres foram identificadas pela apuração. Dessas, quatro foram localizadas em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, enquanto outras 18 estavam em imóveis situados na Paraíba. Não foram divulgadas informações sobre a idade das vítimas.
Batizada de Operação Donos da Noite, a ação reuniu equipes do Ministério Público do Trabalho, Auditoria Fiscal do Trabalho, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União. As fiscalizações foram realizadas em estabelecimentos localizados nos municípios paraibanos de Guarabira, Pedro Régis e Alagoa Grande, além de Goiana, em Pernambuco, e Nova Cruz, no Rio Grande do Norte.
De acordo com os investigadores, as mulheres eram submetidas a metas diárias relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas e à realização de programas sexuais. Quando não alcançavam os objetivos estabelecidos, recebiam multas que eram incorporadas a um sistema de dívidas, dificultando a saída dos locais.
A investigação também identificou a transferência frequente das trabalhadoras entre estabelecimentos situados em diferentes estados, prática considerada um dos principais indícios de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. Conforme o MPT, as vítimas enfrentavam jornadas de até 20 horas por dia e viviam em condições classificadas como degradantes.
Os órgãos envolvidos relataram ainda o uso recorrente de álcool e outras substâncias como forma de suportar a rotina de exploração. Entre os elementos apurados está uma festa denominada “Noite da Lingerie”, na qual mulheres eram sorteadas entre clientes. Segundo o procurador do Trabalho Raulino Maracajá, situações como essa reforçam os indícios de que as vítimas eram tratadas como objetos.
O Ministério Público do Trabalho informou que segue atuando para garantir os direitos trabalhistas das mulheres identificadas e buscar indenizações por danos individuais e coletivos decorrentes da exploração investigada. As apurações continuam para identificar todos os responsáveis e dimensionar a extensão da atuação do grupo.

