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Operação investiga grupos virtuais após morte de menina de 13 anos

Operação investiga grupos virtuais após morte de menina de 13 anos

Operação investiga grupos fechados após morte de menina de 13 anos em MS e apreende seis adolescentes em cinco estados.

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Luis Gomes
17 de setembro de 2026
3 min de leitura
Brasil

Grupos virtuais fechados investigados após a morte de uma menina de 13 anos em Mato Grosso do Sul funcionavam por meio de convites e reuniam, em sua maioria, participantes menores de idade, segundo as investigações. A operação deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul identificou seis adolescentes, entre 14 e 17 anos, que foram apreendidos, além de um adulto.

A investigação apura a prática de chamada “escravidão digital” e suspeitas de indução ao suicídio relacionadas à morte da adolescente. O caso também motivou medidas envolvendo a plataforma Discord.

Segundo o Ministério da Justiça, a operação precisou ser executada simultaneamente em cinco estados para evitar que os investigados fossem alertados e pudessem eliminar provas digitais.

Grupos eram chamados de “panelas”

De acordo com a polícia, os grupos eram conhecidos como “panelas” e contavam com diferentes funções, incluindo administradores, recrutadores e moderadores. As investigações apontam que os participantes promoviam violência, automutilação e conteúdo relacionado ao suicídio.

Ainda segundo os investigadores, os grupos disputavam reconhecimento entre si. Quanto mais extremo era o conteúdo produzido, maior seria o chamado “hype”, expressão utilizada pelos integrantes para indicar o reconhecimento obtido dentro dessas comunidades.

O Ministério da Justiça informou que a atuação ocorria em diferentes plataformas, com migração entre redes sociais, fóruns e servidores temáticos.

Investigados usavam perfis falsos

A aproximação com possíveis vítimas começava fora dos grupos, principalmente em redes sociais e plataformas de conversa. Conforme os policiais, os investigados utilizavam perfis falsos e, em alguns casos, se apresentavam como pessoas com idade ou características semelhantes às dos alvos.

Depois de conquistar a confiança, os suspeitos faziam convites para os grupos. A investigação aponta que a recusa poderia ser seguida por chantagem, manipulação psicológica e coerção, incluindo ameaças envolvendo informações de familiares das vítimas.

Os seis adolescentes apreendidos, segundo os investigadores, ocupavam funções diretamente relacionadas à administração dos grupos e à prática de intimidações e pressão psicológica.

Operação ocorreu em cinco estados

A ação foi realizada nesta terça-feira (15) e cumpriu seis medidas cautelares de busca e apreensão de adolescentes, além de seis mandados de busca e apreensão domiciliar.

As diligências ocorreram na Bahia, no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. A operação contou ainda com a participação do Ciberlab, Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça.

A análise de celulares, computadores e outras mídias recolhidas na primeira fase da investigação possibilitou, segundo o Ministério da Justiça, a identificação de novos envolvidos.

Os investigadores também informaram que uma das pessoas identificadas nesta etapa dizia ser amiga da adolescente que morreu em julho. Parte das possíveis vítimas, conforme a apuração, não havia relatado aos pais as ameaças recebidas.

Discord se manifesta

Em nota, o Discord afirmou ter compromisso com a segurança dos usuários. A plataforma informou que exige idade mínima de 13 anos e disponibiliza a Central da Família.

A empresa declarou ainda que o caso envolveu múltiplas plataformas e que as evidências fornecidas às autoridades indicam que a morte ocorreu em outra plataforma.

Segundo o Discord, o servidor privado investigado foi desativado antes da morte da adolescente.

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Última atualização: 17/09/2026