A Polícia Civil da Paraíba deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a Operação Argos, com o cumprimento de mais de 40 mandados de prisão preventiva contra integrantes de uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro na Paraíba e em outros três estados. A ação também determinou o bloqueio de mais de R$ 104 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados.
Organização criminosa atuava de forma interestadual
Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado é apontado como responsável pelo transporte, distribuição de entorpecentes e ocultação de recursos financeiros oriundos do tráfico. A organização teria atuação concentrada na Paraíba, mas com ramificações em São Paulo, Bahia e Mato Grosso.
Somente em território paraibano, foram expedidas 32 ordens de prisão. As demais determinações judiciais estão sendo cumpridas nos outros estados, com apoio das polícias civis locais.
Medidas judiciais autorizadas pela Justiça
Para desarticular a estrutura da organização criminosa, a Justiça autorizou um conjunto de medidas consideradas estratégicas pela Polícia Civil. Entre elas estão:
44 mandados de prisão preventiva, sendo 32 na Paraíba, 10 em São Paulo, 1 na Bahia e 1 no Mato Grosso;
45 mandados de busca e apreensão;
Bloqueio de R$ 104.881.124,34 em contas bancárias ligadas a 199 investigados;
Sequestro de 13 imóveis;
Sequestro de 40 veículos, incluindo carros de luxo e frotas utilizadas no transporte.
De acordo com a polícia, as medidas têm como objetivo enfraquecer financeiramente o grupo e interromper o funcionamento da organização.
Prisões na Paraíba e em outros estados
Em João Pessoa, três pessoas foram presas durante o cumprimento dos mandados, sendo duas mulheres e um homem. As prisões ocorreram nos bairros de Paratibe, Gramame e Mangabeira, na Zona Sul da capital.
Em Campina Grande, foram cumpridos três mandados de prisão no bairro Três Irmãs, contra dois homens e uma mulher. Segundo a polícia, um dos alvos chegou à delegacia com a mão ensanguentada após quebrar o próprio celular no momento da abordagem. No município, também foram apreendidos uma arma de fogo, duas motocicletas e dois carros de luxo.
Já no município de Pombal, no Sertão da Paraíba, foi preso o principal operador da organização criminosa no estado, identificado como Luciano Moraes.
Lideranças presas fora do estado
Uma das principais lideranças investigadas foi presa na cidade de Hortolândia, em São Paulo. O suspeito foi identificado como Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, natural de Cajazeiras.
Segundo a Polícia Civil, ele mantinha conexões com um núcleo de liderança de uma organização criminosa sediada em São Paulo. Essas ligações teriam permitido a criação de uma rota interestadual de distribuição de drogas, com a Paraíba como um dos principais destinos, além de áreas do Sertão de Pernambuco e do Ceará.
Estrutura financeira e lavagem de dinheiro
As investigações apontam que a organização criminosa mantinha um núcleo financeiro responsável pela lavagem de dinheiro e pela integração dos recursos obtidos com o tráfico. Segundo a Polícia Civil da Paraíba, esse esquema teria movimentado cerca de R$ 500 milhões desde 2023.
Ao todo, 40 integrantes foram identificados, sendo 12 ligados ao núcleo de São Paulo e 28 atuando na Paraíba. Conforme a apuração, o fluxo financeiro ocorria da Paraíba para São Paulo, enquanto o transporte de drogas seguia no sentido inverso.
Nomes citados na investigação financeira
Dois nomes se destacam na apuração sobre a lavagem de dinheiro. Giovanna Parafatti, ex-bancária, é investigada por movimentar mais de R$ 15 milhões por meio de uma holding familiar e de uma empresa de fachada, utilizando familiares para pulverizar valores e adquirir veículos para a cúpula do grupo.
Outro nome citado é Naiara Batistelo, médica formada na Bolívia e atuante no Mato Grosso, apontada como intermediária financeira na fronteira. Segundo a polícia, ela recebeu mais de R$ 10,9 milhões em 29 meses em operações ligadas ao tráfico transfronteiriço de cocaína.
Empresas de fachada e contratos públicos
A investigação também revelou o uso de empresas de fachada e a infiltração em setores lícitos para ocultação de recursos. Uma das empresas citadas é a AF Amaro Construções, com sede em Pombal, ligada ao núcleo da organização na Paraíba.
Segundo a polícia, a empresa recebeu cerca de R$ 3 milhões em empenhos públicos em 2024, mesmo sem possuir funcionários registrados, e os valores teriam sido utilizados para financiar atividades do tráfico de drogas.
Também foi identificada uma empresa em Goiás que, apesar de ter apenas um funcionário, movimentava valores ligados ao tráfico na Paraíba. Os sócios já eram investigados por crimes em Minas Gerais, mas os nomes não foram divulgados.
Investigação teve início em 2023
De acordo com a Polícia Civil da Paraíba, a investigação começou em meados de 2023, após sucessivas apreensões de grandes carregamentos de drogas em diferentes regiões do estado.
A apuração revelou que a organização funcionava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre núcleos responsáveis pelo transporte, distribuição e lavagem do dinheiro. As drogas eram transportadas em carretas e veículos de apoio, muitas vezes misturadas a cargas lícitas.
Segundo a Polícia Civil, a Operação Argos busca atingir três pilares centrais da organização criminosa: o transporte dos entorpecentes, a distribuição no varejo e a estrutura financeira responsável pela lavagem de dinheiro. As investigações continuam, e novas fases da operação não estão descartadas.

