A revista paraibana Era Nova, na sua 100ª edição, em outubro de 1926, há exatos cem anos, destacou o surto de progresso que estava ocorrendo em Rio Tinto após a instalação da Companhia de Tecidos Rio Tinto, poucos anos antes, pelos irmãos Lundgren.
O que era em 1917 apenas o “Engenho Preguiça”, adquirido pelos irmãos de descendência sueca Frederico e Arthur Lundgren, advindos de Pernambuco, já contava em 1926 com 1.500 casas já construídas e 200 em construção, todas de propriedade da Companhia, às quais os operários pagavam aluguel de baixo valor. O apito das sirenes, o rodar das locomotivas e o ruído das grandes máquinas substituíram o silêncio de antes.
As obras começaram em 1918 com saneamento, plantio de eucalipto e construção de casas. Em fevereiro de 1923, teve início a construção da fábrica, inaugurada em dezembro de 1924. Na época da matéria eram 1200 operários na fiação, 800 na tecelagem, 500 na tinturaria, no total eram 2600 operários na fábrica, não se contando os que trabalhavam nas construções, olaria, serraria, porto, transportes, etc. Os números são impressionantes, por exemplo, para tocar as construções a olaria produzia diariamente 40.000 tijolos e 6.000 telhas. A produção da fábrica atingia a média de 35 mil metros diários de tecidos.
Além do parque industrial, a matéria registrou imagens e informações do cotidiano da cidade. Havia dois times de futebol, o Vera Cruz e o Ipiranga. Todos as noites de domingo havia retreta na praça José de Alencar. Aos sábados e domingos havia cinema ao ar livre. No salão “Sociedade Familiar Bloco das Flores”, grandes bailes. As feiras eram diárias, sendo a maior delas ao sábado. Eram mais de 40 casas comerciais
A vila operária já dispunha de água encanada, saneamento, luz elétrica, serviço médico e religioso, jardins públicos, associações artísticas, hotéis, etc. Dois grupos escolares que atendiam 300 crianças, sob a direção do padre Arthur Costa. Mais de 50.000 pés de eucaliptos na área da vila, reduziam a umidade do solo, evitando doenças.
Banda de música tem a frente o maestro João Félix e orquestra “Lyra Sergipana”. Um grupo de teatro se apresenta mensalmente no palco do “Club Rio Tinto”. O diretor geral da Companhia era o sr. Mario Viana. Nessa época Rio Tinto pertencia a Mamanguape, que tinha como prefeito João Raphael Filho.
Nos anos seguintes à publicação a companhia cresceu muito mais chegando a ser a maior da América Latina, gerando 15 mil empregos. O governo deu 25 anos de isenção de impostos aos Lundgren em troca de serviços essenciais. Hoje quem passa pela cidade visualiza a estátua de Frederico Lundgren, a igreja e vários prédios que se destacam pelo estilo de tijolos descobertos. A fábrica fechou em 1983 e hoje um Campus de UFPB funciona nas antigas instalações.
Em outras postagens trataremos da relação dos Lundgren com o Nazismo, os crimes deles contra a população indígena da região, sobre a visita de Getúlio Vargas à Companhia e muito mais.
Imagens:

















Pesquisa, Texto e Imagens: Jocelino Tomaz

