Na última semana das eleições, resgatamos a história de um grave crime político ocorrido em Guarabira, popularmente chamado do “Assassinato do Café Central”, em 1950.
Tivemos naquele ano eleições para presidente, onde Getúlio Vargas concorreu com o brigadeiro Eduardo Gomes, e para o governo da Paraíba houve um verdadeiro “duelo de titãs” entre José Américo e Argemiro de Figueiredo. Assim como esse ano, também se votou para senador, deputado estadual e federal. Curiosamente, votava-se também para vice-presidente, vice-governador e suplente de senador.
A cor do PSD (José Américo) era branca, e da UDN (Argemiro de Figueiredo) era amarela.
A eleição infelizmente foi marcada pela violência, com episódios registrados em Campina Grande, São João do Cariri, Serra Branca, São José do Cordeiro, Remígio, Areia e Guarabira. O mais grave foi em Campina e ficou conhecido como “Massacre da Praça da Bandeira”, com três mortos e vinte feridos.
Guarabira era tida como um dos mais fortes núcleos eleitorais de José Américo, seu irmão Augusto de Almeida, era farmacêutico na cidade e uma forte liderança, outro irmão, Inácio de Almeida, foi padre, porém na eleição da mesa diretora do Conselho (Câmara), em 14/06/1950, os partidários de Argemiro ocuparam todos os cargos, o que indicava que as coisas estavam mudando.
No dia 21/06, o advogado Rossini Lira de Albuquerque, ex-investigador da polícia de Pernambuco, filho do maestro Pedro Batista, alegou que foi atacado a tiros em sua residência, tendo sofrido três ferimentos. Porém, foi averiguado que se tratava de uma farsa, o mesmo teria atirado no próprio pijama.
O prefeito para o mandado até 1951 era Sabiniano Maia, da UDN, porém ele se afastou em 10/07/1950 para assumir a secretaria de educação e saúde da Paraíba e o vice “Zé de Xixi” assumiu.
No dia 13/07, por volta das 21:30h, Rossini, se encontrava no Café Central e tratava com termos pornográficos os candidatos Pereira Lira, Argemiro Figueiredo e Getúlio. O fazendeiro Pedro Espínola Guedes, tio ex-vereador Aedson Cunha, resolveu tomar uma atitude reprobatória. Rossini sacou o revólver e desferiu três tiros no ventre do fazendeiro, tendo em seguida fugido, segundo alegaram, para o sítio do capitão reformado Pereira Diniz. Pedro Espínola foi socorrido para João Pessoa. O advogado Dustan Miranda foi uma das testemunhas. Dizia-se em Guarabira que Rossini fazia parte de uma chamada “Guarda Negra” da coligação, que tinha a frente o Capitão reformado da PM Antonio Pereira Diniz, e que o Café Central seria o “quartel-general” do Capitão. Feita uma revista no estabelecimento foram realmente encontradas armas que o dono confessou serem do capitão. Houve boatos de que um atentado estava sendo preparado contra Oscar Espínola Guedes, primo da vítima. O fato foi noticiado, além dos jornais paraibanos, no Diário de Pernambuco, “A Noite” (RJ), Correio Paulistano, dentre outros.
Após 17 dias de sofrimento o fazendeiro, que era muito popular em Guarabira, veio a falecer.
Ante a violência, forças federais foram designadas pelo TSE para atuar em Patos, Areia, Campina Grande, Cuité, Piancó, Antenor Navarro, Monteiro e Guarabira.
Em agosto de 1951, o assassino foi absolvido pelo Júri de Guarabira. O próprio capitão Pereira Diniz também acusado pelo assassinato do sargento João Monteiro, também obteve o mesmo resultado. Porém, houve recurso e Rossini, teve novo júri em 1952, com nova absolvição, por unanimidade, sob a tese de legítima defesa, tendo na sua defesa dois famosos advogados João de Santa Cruz e Ivan Bichara, além de dois então acadêmicos, Amaury Vasconcelos e Geraldo Beltrão.
No pleito, Getúlio foi eleito presidente, José Américo governador, e Rui Carneiro senador, vencendo Pereira Lira. Em Guarabira, José Américo teve 63% dos 6.588 votos válidos contra 37% de Argemiro. Augusto de Almeida, irmão de José Américo, foi eleito prefeito de Guarabira em duas gestões, 1951 a 1954 e 1959 a 1963.
O capitão Pereira Diniz, foi assassinado em uma emboscada em Guarabira em 1955. Rossini seguiu atuando como advogado, principalmente em Recife, até os anos 60.
Texto e pesquisa: Jocelino Tomaz.
Imagens:

Rossini Lira

José Américo

Argemiro de Figueiredo

Capitão Pereira Diniz

Augusto de Almeida

A Noite: 31/07/1950


