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Nikolas Ferreira e Pavanato puxam colegas para a Câmara com votação milionária

Nikolas Ferreira e Pavanato puxam colegas para a Câmara com votação milionária

Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato superam 3 milhões de votos e ajudam a eleger colegas de partido pelo sistema proporcional brasileiro.

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Luis Gomes
14 de outubro de 2026
6 min de leitura
Política

As votações expressivas de Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), ambos eleitos para a Câmara dos Deputados com mais de 3 milhões de votos cada, também beneficiaram outros candidatos de seus partidos. No sistema proporcional brasileiro, a quantidade de votos recebida por uma legenda influencia o número de cadeiras conquistadas, permitindo que candidatos com votação individual menor sejam eleitos graças ao desempenho de colegas mais votados.

Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira contribuiu para a eleição de outros 13 deputados do PL, além de garantir a própria vaga. Em São Paulo, Lucas Pavanato ajudou a assegurar cadeiras para mais sete colegas da sigla. O fenômeno, conhecido como efeito dos “puxadores de voto”, também favoreceu candidatos de outras legendas e federações partidárias em diferentes estados.

Como funciona o efeito dos puxadores de voto

O sistema proporcional é utilizado na eleição de deputados federais, deputados estaduais e vereadores. Nesse modelo, a distribuição das cadeiras depende dos votos recebidos pelos partidos e federações, além do desempenho individual dos candidatos.

Um dos principais critérios é o quociente eleitoral, calculado a partir dos votos válidos e do número de vagas em disputa. Na prática, a votação expressiva de um candidato pode ajudar sua legenda a conquistar mais cadeiras, beneficiando outros integrantes da lista partidária.

Entretanto, existe uma exigência individual: para ser eleito por meio desse mecanismo, o candidato precisa alcançar uma votação mínima equivalente a 10% do quociente eleitoral. Por isso, nem todos os postulantes beneficiados pelo desempenho de colegas conseguem assumir uma vaga.

Nikolas Ferreira ajuda a eleger 13 colegas em Minas Gerais

Em Minas Gerais, o quociente eleitoral foi de aproximadamente 214 mil votos. Com mais de 3 milhões de votos, Nikolas Ferreira ultrapassou essa marca em mais de 13 vezes, contribuindo para ampliar a representação do PL no estado.

Entre os candidatos eleitos pela legenda com votações inferiores ao quociente eleitoral estavam 13 nomes que receberam entre 25 mil e 61 mil votos. Sem o desempenho expressivo do partido, esses candidatos não teriam garantido a eleição concorrendo por outras siglas, conforme o cenário apresentado.

Entre os beneficiados está Marcelo Álvaro Antônio, que ocupou o Ministério do Turismo durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Outro eleito foi Thiago Milhim, conhecido nas urnas como Thiago Ganem. Ex-dirigente do Podemos, ele se filiou ao PL e transferiu seu domicílio eleitoral de São Paulo para Minas Gerais. Segundo o site O Fator, a mudança foi planejada para ampliar suas chances de eleição e articulada entre dirigentes dos dois partidos.

Lucas Pavanato amplia representação do PL em São Paulo

Em São Paulo, o quociente eleitoral ficou em aproximadamente 338 mil votos. A votação de Lucas Pavanato superou essa marca em cerca de sete vezes, contribuindo para a eleição de outros sete integrantes do PL.

Entre os beneficiados estão deputados federais que buscavam a reeleição, como Miguel Lombardi, Jefferson Campos, Mário Frias e Paulo Bilynskyj. De acordo com o cenário descrito, esses candidatos não teriam conquistado as vagas caso disputassem a eleição por outras legendas.

O resultado demonstra como a concentração de votos em um candidato pode influenciar a composição da bancada partidária, mesmo quando outros integrantes recebem uma votação individual significativamente menor.

Erika Hilton ajuda a eleger Sônia Guajajara

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) também teve votação suficiente para ampliar a representação de sua federação, formada por PSOL e Rede. Reeleita com mais de 1,5 milhão de votos, ela contribuiu para garantir outras três cadeiras além da própria.

Entre as beneficiadas está Sônia Guajajara, que recebeu 54,2 mil votos e conseguiu se eleger pela federação.

Outros dois candidatos, Raul Marcelo e Juliano Medeiros, também poderiam ser beneficiados pela votação de Erika Hilton. No entanto, ambos ficaram de fora por não atingirem a cláusula de desempenho individual, que exige pelo menos 10% do quociente eleitoral para que um candidato possa conquistar uma vaga por meio dos votos recebidos pela legenda.

O caso evidencia que o desempenho coletivo do partido ou da federação não elimina a necessidade de o candidato cumprir os requisitos individuais estabelecidos pelas regras eleitorais.

André Fernandes garante vaga para Carmelo Neto no Ceará

No Ceará, André Fernandes (PL-CE), que tentava a reeleição, foi o candidato a deputado federal mais votado, com 684,3 mil votos. O resultado ajudou o partido a conquistar mais uma cadeira além da vaga do próprio parlamentar.

O beneficiado foi Carmelo Neto, deputado estadual e ex-vereador de Fortaleza, que conseguiu uma vaga na Câmara dos Deputados com o resultado eleitoral da legenda.

Ana Elisa e Júlia Zanatta também ampliam bancadas

Em Minas Gerais, Ana Elisa, candidata do PT a deputada federal, recebeu mais de meio milhão de votos e foi a candidata do partido mais votada do país na disputa para a Câmara. A votação contribuiu para a reeleição da deputada federal Dandara.

Ana Elisa também é apontada como uma aposta do PT para ampliar a presença do partido nas redes sociais e colaborar com a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, publicações antigas no X se tornaram motivo de questionamentos para sua candidatura, conforme o material de origem.

Em Santa Catarina, Júlia Zanatta (PL-SC) foi a candidata a deputada federal mais votada, com 560,2 mil votos. Sua votação superou o quociente eleitoral estadual em aproximadamente duas vezes e ajudou a garantir a eleição de Zé Trovão, que recebeu 89,8 mil votos enquanto buscava a reeleição.

Jeffrey Chiquini ajuda a eleger Paulo Martins no Paraná

No Paraná, o advogado Jeffrey Chiquini, do Novo, foi o candidato a deputado federal mais votado, com 425,3 mil votos. A votação contribuiu para a eleição de Paulo Martins, vice-prefeito de Curitiba.

Chiquini ganhou notoriedade por representar Filipe Martins na ação penal que apura tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além dos casos de Minas Gerais, São Paulo, Ceará, Santa Catarina e Paraná, o levantamento mostra que o efeito dos puxadores de voto pode alterar a composição das bancadas e permitir a eleição de candidatos que, individualmente, tiveram menos votos do que outros concorrentes.

O resultado final depende da combinação entre o desempenho dos partidos e federações, o quociente eleitoral e a votação mínima exigida de cada candidato. Assim, as maiores votações individuais podem ter impacto decisivo não apenas para a eleição de quem lidera as urnas, mas também para a distribuição das vagas entre seus colegas de legenda.

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Última atualização: 14/10/2026