O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira (25) que pretende intensificar os ataques contra o Hezbollah, em meio às negociações entre Estados Unidos e Irã por um cessar-fogo no conflito regional. A declaração ocorre em um cenário de aumento da tensão entre Israel e o grupo apoiado por Teerã no Líbano.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, mais de 3.000 pessoas morreram em bombardeios israelenses no Líbano desde o início da guerra envolvendo o Irã. Desse total, cerca de 600 mortes ocorreram após o cessar-fogo firmado em 16 de abril entre Israel e o Hezbollah, acordo que, segundo os dois lados, vem sendo repetidamente violado.
Do lado israelense, ataques do Hezbollah mataram 11 soldados durante o período de trégua. Desde o início do conflito, a ofensiva do grupo extremista também deixou 18 militares e cinco civis mortos em Israel, principalmente em ataques com drones explosivos contra cidades e posições militares no norte do país.
Em vídeo divulgado nesta segunda-feira, Netanyahu afirmou que as Forças Armadas israelenses vão ampliar a ofensiva. Segundo o premiê, o Exército não reduzirá suas operações no Líbano e deverá acelerar os ataques contra o Hezbollah.
O líder israelense também declarou ter recebido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a garantia de que um possível cessar-fogo entre Washington e Teerã não impediria Israel de continuar atacando o território libanês. Em negociações anteriores, o Irã já havia condicionado acordos de trégua à inclusão do Hezbollah nas tratativas.
Desde o início da trégua em abril, tropas israelenses ocupam áreas do sul do Líbano e realizam bombardeios frequentes em vilarejos onde, segundo Israel, o Hezbollah mantém operações militares.
A destruição dessas localidades tem gerado críticas de organizações internacionais. Grupos como a Anistia Internacional afirmam que Israel pode estar cometendo crimes de guerra ao destruir estruturas civis em regiões já ocupadas militarmente, com possível objetivo de criar uma área despovoada no sul libanês.
As declarações de Netanyahu provocaram reação imediata em Beirute. Após a divulgação do vídeo, moradores dos subúrbios ao sul da capital libanesa iniciaram uma retirada em massa da região, apontada por Israel como área de atuação da liderança do Hezbollah. A capital do Líbano não era alvo de ataques israelenses desde o início do cessar-fogo.
O aumento das ameaças também coloca em risco as discussões diretas entre Israel e o governo do Líbano, liderado pelo presidente Joseph Aoun. Os dois países não mantêm relações diplomáticas oficiais e seguem sem uma fronteira internacional plenamente reconhecida. Atualmente, a chamada “Linha Azul”, estabelecida pela ONU em 2000, funciona como limite provisório entre os territórios.
Uma autoridade americana ouvida sob anonimato pela agência Reuters afirmou que os Estados Unidos consideram que Israel tem o direito de responder aos ataques do Hezbollah. Segundo essa fonte, o grupo libanês teria violado o cessar-fogo em diversas ocasiões para prejudicar as negociações entre os governos israelense e libanês.
Também nesta segunda-feira, o Hezbollah voltou a defender que a população libanesa tem o direito de derrubar o governo de Joseph Aoun. Já o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, afirmou que “para cada drone lançado pelo Hezbollah, dez prédios deveriam cair em Beirute”.

