O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Butantan no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida foi adotada após a identificação de 42 episódios de reações adversas consideradas mais severas em pessoas que receberam o imunizante.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os casos registrados ocorreram em período próximo à vacinação, mas ainda não há evidências suficientes para estabelecer uma relação direta entre os eventos e a aplicação da dose. Entre as ocorrências analisadas estão duas mortes, que seguem sob investigação.
Segundo o ministério, aproximadamente 500 mil doses da vacina foram aplicadas, principalmente entre profissionais da saúde nos municípios de Maranguape, no Ceará, Nova Lima, em Minas Gerais, e Botucatu, em São Paulo.
Como medida preventiva, a pasta orientou que todas as doses atualmente disponíveis permaneçam armazenadas em condições adequadas de refrigeração pelas secretarias estaduais e municipais de saúde até a conclusão das avaliações em andamento.
O ministro também destacou que as pessoas já vacinadas permanecem protegidas contra a doença. Além disso, recomendou atenção especial aos profissionais que receberam a imunização nos últimos 21 dias, com acompanhamento mais próximo por parte das equipes de saúde.
A vacina do Butantan recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim de novembro e foi autorizada para uso em pessoas com idade entre 12 e 59 anos. Nos estudos apresentados para aprovação, o imunizante demonstrou eficácia geral de 74,7%, alcançando 91,6% de proteção contra casos graves e com sinais de alarme, além de 100% de eficácia na prevenção de hospitalizações relacionadas à dengue.
As pesquisas também indicaram que a proteção proporcionada pela vacina pode durar até cinco anos após a aplicação.
Apesar da interrupção temporária do imunizante do Butantan, o SUS continua oferecendo a vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda, como parte das estratégias de prevenção da dengue no país.
A suspensão permanecerá em vigor enquanto o Ministério da Saúde analisa os registros de eventos adversos e reúne mais informações para determinar os próximos passos em relação ao uso da vacina na rede pública.

