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Ministério da Saúde anuncia acordo para compra de PrEP injetável

Ministério da Saúde anuncia acordo para compra de PrEP injetável

Ministério da Saúde anuncia acordo para compra do cabotegravir, PrEP injetável contra o HIV, com expectativa de oferta pelo SUS ainda neste ano.

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Luis Gomes
28 de julho de 2026
4 min de leitura
Brasil

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (27) um acordo para a compra do cabotegravir, medicamento antirretroviral injetável utilizado na profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV. O acordo será encaminhado na próxima semana à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), etapa necessária para a avaliação da inclusão do medicamento na rede pública de saúde.

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. Segundo ele, a expectativa do governo é que, caso a incorporação seja aprovada pela Conitec, o medicamento esteja disponível para pacientes brasileiros ainda neste ano.

Padilha informou que o número inicial de doses ainda não foi definido, já que as negociações com a fabricante seguem em andamento. Questionado sobre o valor de cerca de US$ 400 por dose, citado nos bastidores do evento, o ministro não confirmou a cifra, mas afirmou que o limite considerado pelo governo corresponde a, no máximo, dez a doze vezes o preço oferecido a países como Indonésia e Tailândia, onde o medicamento é negociado por US$ 40 por dose.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o cabotegravir em 2023, e o medicamento passou a ser comercializado no mercado privado em agosto do ano passado. A aplicação é feita a cada dois meses, enquanto a PrEP convencional exige o uso diário de comprimidos. Atualmente, o preço de tabela do medicamento no Brasil é de R$ 4.000.

Durante a apresentação, o Ministério da Saúde também divulgou um balanço sobre o enfrentamento da Aids no país. Segundo Padilha, o Brasil registrou em 2024 a maior redução da taxa de mortalidade por Aids de sua história, com o número de mortes ficando, pela primeira vez, abaixo de 10 mil.

De acordo com o ministro, o resultado está relacionado à ampliação de 150% da oferta de medicamentos de PrEP pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e ao aumento de 100% na realização de testes rápidos nos últimos três anos. Atualmente, 22% das pessoas diagnosticadas com HIV iniciam o tratamento no mesmo dia da confirmação do diagnóstico, enquanto mais da metade começa a terapia em até 30 dias.

Padilha afirmou que três desafios permanecem para o enfrentamento da epidemia: a discriminação e o estigma contra pessoas que vivem com HIV, o negacionismo científico aliado à desinformação em saúde e a ampliação do acesso às novas tecnologias.

O ministro também anunciou um novo programa de financiamento destinado a acelerar o acesso a exames de imagem e procedimentos mais complexos, como órteses e próteses, voltados ao atendimento de pessoas vivendo com HIV.

Outro tema abordado foi a negociação envolvendo o lenacapavir, medicamento injetável de aplicação semestral aprovado pela Anvisa em janeiro deste ano. Segundo Padilha, o governo brasileiro chegou a manifestar disposição para negociar valores, mas afirmou que não aceitará preços considerados incompatíveis com o orçamento do SUS.

Ainda durante a coletiva, o ministro informou que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinará nesta terça-feira (28) um acordo com a farmacêutica MSD para acompanhar o desenvolvimento do MK-8527, uma nova PrEP oral de longa duração que ainda está em estudos clínicos, dos quais o Brasil participa. A expectativa é que a parceria possa evoluir futuramente para produção do medicamento e sua incorporação ao SUS.

Padilha também comentou que o Brasil ficou fora do acordo de licenciamento voluntário anunciado pela MSD para a produção de versões genéricas do MK-8527, mas afirmou que isso não impede a continuidade das negociações entre o governo e a empresa. Ele reforçou que o país continuará buscando alternativas para ampliar o acesso às novas tecnologias sem comprometer os recursos destinados ao sistema público de saúde.

O anúncio do Ministério da Saúde foi realizado durante coletiva de imprensa com a participação do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e do diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, antes da cerimônia de abertura da Conferência Internacional de Aids 2026, realizada pela primeira vez na América do Sul.

Durante o evento, Tedros destacou que as novas infecções por HIV caíram 42% no mundo desde 2010 e que as mortes relacionadas à Aids recuaram 57% no mesmo período, mas alertou que a redução do financiamento internacional pode comprometer esses avanços. Já Jarbas Barbosa afirmou que mais de 325 mil pessoas utilizam a PrEP nas Américas, embora a região ainda precise ampliar significativamente o acesso à profilaxia para reduzir o número de novas infecções.

Em nota, a Gilead, fabricante do lenacapavir, informou que mantém o compromisso de ampliar o acesso às opções de prevenção do HIV e afirmou que as negociações para a América Latina e o Caribe seguem em andamento, inclusive em parceria com a Opas. A empresa também declarou que avalia oportunidades para apoiar o acesso sustentável ao medicamento por meio do desenvolvimento de capacidade regional de fabricação, incluindo o Brasil, desde que haja viabilidade regulatória, técnica e econômica.

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Última atualização: 28/07/2026