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Maria da Penha defende educação como ferramenta contra violência doméstica na Paraíba

Maria da Penha defende educação como ferramenta contra violência doméstica na Paraíba

Durante palestra no MPPB, Maria da Penha destacou a educação e as políticas públicas como fundamentais no combate à violência doméstica

Carlos HenriqueCarlos Henrique
17 de junho de 2026
3 min de leitura
Educação

A ativista Maria da Penha participou, na manhã desta quarta-feira (17), de uma palestra promovida pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), em alusão aos 20 anos da Lei Maria da Penha. Durante o encontro, ela ressaltou a importância da educação na desconstrução da cultura da violência e no enfrentamento às agressões contra mulheres.

Segundo Maria da Penha, comportamentos como machismo, racismo e outras formas de preconceito são aprendidos no ambiente familiar e social, tornando a educação uma ferramenta essencial para identificar e romper ciclos de violência desde a infância.

“Nenhuma criança nasce machista, racista ou homofóbica. Elas aprendem nas suas casas ou nas suas comunidades. Por isso, a educação é importante, porque aquela criança que tem um comportamento agressivo em uma sala de aula, ou é muito tímida, não nasceu assim. Ela está reproduzindo o que aprende em casa. Sem educação, a gente não desconstrói essa cultura”, afirmou.

Falta de políticas públicas nos pequenos municípios preocupa ativista

Além de defender a educação como instrumento de transformação social, Maria da Penha chamou atenção para a necessidade de ampliar as políticas públicas voltadas às mulheres vítimas de violência, especialmente em municípios de pequeno porte.

Ela destacou que, embora a Lei Maria da Penha seja amplamente conhecida pela população, muitas cidades ainda não possuem uma rede estruturada de acolhimento, orientação e acompanhamento das vítimas.

“Eu acho que nós precisamos ainda trabalhar muito para os pequenos municípios com as políticas públicas que fazem com que a mulher saia da situação. Nós temos informação da importância da lei pela mídia, mas nós não temos esse amparo para a vítima da violência no pequeno município”, disse.

Relatos da infância evidenciam a cultura de culpabilização da vítima

Durante a palestra, a ativista relembrou experiências vividas na infância, quando presenciava casos de violência contra mulheres em comunidades menores e observava a falta de compreensão sobre a gravidade das agressões.

“Na rua onde eu morava tinha casos que a gente sabia. De vez em quando os vizinhos ouviam gritos de mulheres pedindo socorro. E no final do dia, nas reuniões de calçada, as pessoas diziam: ‘por que esse rapaz faz isso com essa moça, se ele é uma pessoa tão boa? O que ela faz para ele bater nela?’ A culpa sempre recaía sobre a mulher”, relatou.

Aplicação da lei ainda é um desafio

Ao comentar os avanços e desafios da legislação, Maria da Penha afirmou que não considera necessário tornar a Lei Maria da Penha mais rígida, mas defendeu maior efetividade no cumprimento das medidas já existentes.

Segundo a ativista, a legislação possui mecanismos importantes de proteção às mulheres, porém ainda enfrenta dificuldades na execução, principalmente devido à demora no julgamento dos processos.

O encontro promovido pelo Ministério Público da Paraíba integrou as ações de conscientização pelos 20 anos da Lei Maria da Penha, considerada um dos principais instrumentos legais de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil.

Fonte: Jornal da Paraíba

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Última atualização: 17/06/2026