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Lula defende parceria militar entre Brasil e África do Sul

Lula defende parceria militar entre Brasil e África do Sul

Lula defende cooperação entre Brasil e África do Sul para produção de equipamentos de defesa e comenta impactos de conflitos internacionais.

Carlos HenriqueCarlos Henrique
10 de março de 2026
3 min de leitura
Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (9) que Brasil e África do Sul devem ampliar a cooperação na área de defesa, com foco na produção conjunta de equipamentos militares voltados para autodefesa. A declaração foi feita durante encontro com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto.

Durante a reunião, realizada em Brasília, os dois países também assinaram acordos bilaterais nas áreas de turismo, comércio exterior e indústria. A visita oficial do líder sul-africano ao Brasil segue até esta terça-feira (10).

Lula defende autonomia na área de defesa

Ao comentar a cooperação entre os dois países, Lula afirmou que Brasil e África do Sul precisam fortalecer sua capacidade de produção de equipamentos militares.

Segundo o presidente, a parceria pode ajudar a reduzir a dependência de fornecedores internacionais.

“Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. O Brasil tem necessidade similar à da África do Sul. Portanto, vamos juntar o nosso potencial e ver o que podemos construir juntos”, afirmou.

O presidente também criticou a dependência de grandes fabricantes internacionais de armamentos.

“Não precisamos ficar comprando dos ‘Senhores das Armas’. Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”, declarou.

América do Sul é região de paz, diz presidente

Apesar da defesa de investimentos em autodefesa, Lula destacou que a América do Sul é historicamente uma região pacífica.

O presidente afirmou que as tecnologias desenvolvidas na região têm, em grande parte, aplicação civil.

“Aqui, na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz. Aqui, ninguém tem bomba nuclear, bomba atômica. Nossos drones são para agricultura, para a ciência e tecnologia e não para a guerra”, disse.

Conflitos internacionais preocupam governo brasileiro

Durante a declaração à imprensa, Lula também manifestou preocupação com a escalada de tensões no Oriente Médio.

Segundo ele, os conflitos recentes representam risco para a paz internacional e podem gerar impactos econômicos em diferentes países.

O presidente destacou que a guerra envolvendo o Irã já provoca reflexos no mercado global de energia.

De acordo com Lula, o preço do petróleo vem subindo em diversos países e pode aumentar ainda mais caso o cenário de conflito se intensifique.

“Esses conflitos produzem efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, de insumos e de alimentos. São mais vulneráveis, sobretudo, as mulheres e as crianças que sofrem os impactos mais severos dessas crises”, declarou.

Exploração de minerais estratégicos

Outro tema abordado pelo presidente foi o potencial do Brasil na exploração de minerais considerados essenciais para a transição energética e digital.

Lula afirmou que o país pretende rever a forma como explora esses recursos naturais, incluindo as chamadas terras raras e minerais críticos.

Segundo o presidente, o objetivo é fortalecer cadeias produtivas internas e evitar a exportação apenas da matéria-prima.

“Já está avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos aquilo que foi feito com o minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado pagando 100 vezes mais caro”, afirmou.

Agenda internacional e defesa da democracia

Durante a coletiva, Lula também confirmou participação em um encontro internacional sobre democracia.

O presidente informou que estará em Barcelona no dia 18 de abril, a convite do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.

A reunião deve discutir temas como regulação do ambiente digital, inteligência artificial e valorização de fontes de informação confiáveis.

Ao final da declaração, Lula ressaltou que Brasil e África do Sul compartilham a visão de que os países do Sul Global precisam ter maior participação nas decisões internacionais.

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Última atualização: 10/03/2026