A Polícia Federal concluiu que a queda do ATR 72 da Voepass, ocorrida em Vinhedo, no interior de São Paulo, em 9 de agosto de 2024, foi causada por uma perda de controle em voo. Segundo o laudo pericial, o acidente teve relação com o acúmulo de gelo na aeronave, a inoperância do sistema pneumático de degelo e a execução inadequada de cinco procedimentos por parte dos pilotos.
O relatório foi obtido com exclusividade pelo programa Fantástico e reúne as conclusões dos peritos federais após a análise das condições da aeronave e dos fatores que contribuíram para a tragédia.
O avião caiu sobre uma casa em Vinhedo e o acidente mobilizou uma investigação para identificar as causas da ocorrência.
Falha no sistema de degelo já era registrada antes da queda
De acordo com o laudo da Polícia Federal, uma falha no sistema de degelo da asa direita vinha se repetindo há dias antes do acidente.
O problema estava concentrado sempre na mesma peça, mas nenhuma tripulação teria registrado a ocorrência no diário de bordo da aeronave.
Segundo os investigadores, caso a falha tivesse sido informada corretamente, o avião não poderia ter realizado novos voos até que o reparo fosse concluído.
O documento classifica essa ausência de registro como “uma quebra direta das responsabilidades atribuídas às tripulações”.
Alerta de falha tocou oito vezes no voo anterior
A investigação apontou ainda que, no voo anterior ao acidente, já com os tripulantes que morreram na tragédia, o alerta de falha no sistema de degelo da asa direita foi acionado oito vezes.
Após a chegada em Cascavel, no Paraná, o piloto comentou com o copiloto sobre a situação envolvendo o gelo na aeronave.
A fala registrada no material da investigação foi:
“Ó lá o gelo, o gelo foi embora agora, finalmente, escutei um barulho aqui. Foi o gelo que voou. Chegamos vivos”.
Segundo o laudo, esse episódio fazia parte do histórico de problemas relacionados ao sistema de degelo antes do voo que terminou no acidente.
Perícia aponta combinação de fatores
A conclusão da Polícia Federal indica que a queda não foi provocada por um único fator isolado.
Os peritos apontaram uma combinação entre o acúmulo de gelo na aeronave, a falha no sistema pneumático de degelo e a não execução adequada de cinco procedimentos pelos pilotos.
Esse conjunto de fatores teria levado à perda de controle em voo do ATR 72.
A investigação também destacou a importância dos registros feitos pelas tripulações nos documentos operacionais da aeronave, já que essas informações são utilizadas para identificar falhas e impedir a operação de aviões com problemas técnicos.
Acidente ocorreu em agosto de 2024
O ATR 72 da Voepass caiu no dia 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo.
A aeronave atingiu uma residência durante a queda. Dois anos após o acidente, os peritos da Polícia Federal finalizaram as análises e apresentaram as conclusões sobre os fatores que contribuíram para a perda de controle da aeronave.
O laudo aponta que a falha no sistema de degelo da asa direita, associada às condições encontradas durante o voo e aos procedimentos adotados pela tripulação, esteve diretamente relacionada ao acidente.
Fonte:G1

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