A Justiça de Minas Gerais negou o pedido da defesa de Gissele de Oliveira, de 40 anos, para a instauração de incidente de insanidade mental no processo em que ela responde pela morte de cinco filhos. A decisão ocorreu durante a primeira audiência do caso, realizada na comarca de Ipatinga, na quinta-feira (26).
De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, seis testemunhas de acusação foram ouvidas na audiência. A continuidade do julgamento foi marcada para o dia 8 de abril, quando novas testemunhas devem depor e a ré será interrogada.
A defesa solicitou a realização de perícia médica para avaliar a capacidade mental da acusada, alegando indícios de distúrbios psiquiátricos, como comportamento dissociativo, fala desconexa e episódios persecutórios. Também pediu acesso ao histórico médico da ré junto à prefeitura de Timóteo.
A juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes rejeitou os pedidos sob o argumento de que não foram apresentados documentos médicos, laudos ou registros clínicos que sustentassem a necessidade da avaliação. Segundo a magistrada, as alegações foram feitas “sem qualquer respaldo fático ou técnico”. Ela também destacou que a defesa não comprovou tentativa formal de obtenção dos prontuários de saúde nem eventual recusa por parte do poder público.
Gissele foi presa em Portugal, em agosto do ano passado, acusada de envenenar e asfixiar os filhos ao longo de 15 anos, em Minas Gerais. As investigações foram iniciadas em 2023, após a morte da última criança, quando familiares levantaram suspeitas sobre os óbitos anteriores.
De acordo com a apuração, exames apontaram a presença de inseticidas e sedativos nas vítimas. A suspeita é de que as crianças eram dopadas antes de serem asfixiadas. Inicialmente, as mortes haviam sido tratadas como causas naturais.
As vítimas tinham entre 10 meses e 3 anos. A investigação também identificou episódios anteriores, incluindo tentativas de homicídio e mortes registradas desde 2010, além de um caso de intoxicação envolvendo o companheiro da acusada em 2022.
Com a decisão judicial, o processo segue sem a abertura de incidente de insanidade mental, e a próxima fase do julgamento deve avançar com novos depoimentos e o interrogatório da ré.

