A Justiça da Itália autorizou, nesta quinta-feira (26), a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, condenada no Brasil por envolvimento na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça e por porte ilegal de arma. A decisão ainda cabe recurso à Corte de Cassação de Roma e será analisada, em última instância, pelo ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio.
Decisão ainda pode ser revista
Apesar da autorização inicial da Justiça italiana, a defesa de Carla Zambelli deve recorrer à Corte de Cassação de Roma, considerada a última instância judicial no país.
Mesmo após essa etapa, a palavra final será do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que poderá confirmar ou rejeitar a extradição, conforme prevê a legislação italiana.
Possível retorno ao Brasil
Caso a decisão de extradição seja mantida, Carla Zambelli deverá ser enviada ao Brasil para cumprir pena.
A expectativa é que ela seja encaminhada para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Condenações no Brasil
A ex-deputada foi condenada em dois processos distintos no Brasil, ambos já com trânsito em julgado, ou seja, sem possibilidade de novos recursos.
As penas incluem:
10 anos e 8 meses de prisão, como autora intelectual da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça;
5 anos e 3 meses de prisão, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após perseguir um homem armado nas ruas às vésperas das eleições de 2022.
Fuga e prisão na Itália
Após a condenação relacionada ao caso do CNJ, Carla Zambelli deixou o Brasil e seguiu para a Itália.
A Procuradoria-Geral da República solicitou a prisão preventiva da ex-parlamentar, pedido que foi aceito pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Além disso, o nome de Zambelli foi incluído na lista vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar e prender foragidos internacionais.
A prisão ocorreu em 29 de julho de 2025, em um apartamento na cidade de Roma. A medida foi determinada pela Corte de Apelação de Roma, que apontou “grave risco de fuga” caso ela permanecesse em liberdade.
Perda do mandato e renúncia
Após as condenações, a Câmara dos Deputados chegou a abrir um processo para cassar o mandato de Carla Zambelli. No entanto, a proposta foi inicialmente rejeitada por falta de votos suficientes e acabou arquivada.
Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal anulou a decisão da Câmara e determinou a perda do mandato parlamentar.
Após a decisão judicial, Zambelli optou por renunciar ao cargo de deputada federal.
A autorização da extradição pela Justiça italiana representa um avanço no processo de retorno de Carla Zambelli ao Brasil. No entanto, o caso ainda depende de decisões judiciais e administrativas finais na Itália.
Até lá, o desfecho permanece em aberto, aguardando a análise da Corte de Cassação de Roma e a decisão do Ministério da Justiça italiano.

