A Justiça Federal determinou o afastamento cautelar do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, e do agente Eudson Oliveira de Matos, após a identificação de indícios de fraude em concursos públicos para beneficiar familiares.
A decisão foi tomada após o levantamento do sigilo do caso e aponta que os investigados estariam envolvidos em um esquema estruturado de fraudes em diversos certames de alta concorrência no país. Entre os concursos citados estão o Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024, seleções do Banco do Brasil (2023), da Caixa Econômica Federal (2024), da Polícia Federal (2025) e concursos das polícias Civil, Militar e Científica de Alagoas.
De acordo com o Ministério Público Federal, há um conjunto consistente de provas que vincula o delegado ao esquema, incluindo declarações obtidas por meio de colaboração premiada, além de análises técnicas de cartões de resposta que apontaram coincidências de erros e acertos entre candidatos beneficiados e integrantes do grupo. Também foram identificados registros de comunicação que indicam a articulação das fraudes.
A medida atende a pedido do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, com o objetivo de garantir a integridade das investigações. A decisão foi fundamentada no artigo 319 do Código de Processo Penal, que permite o afastamento de função pública em casos de risco de uso do cargo para práticas ilícitas.
Segundo a magistrada responsável, há indícios de que os investigados utilizaram suas posições para beneficiar terceiros, interferir nas apurações e acessar informações sigilosas, comprometendo a lisura do processo.
Inicialmente, foi solicitado o pedido de prisão preventiva, mas a Justiça optou pelo afastamento cautelar após a apresentação de novas provas, considerando a medida mais adequada e proporcional no momento. O afastamento terá duração inicial de 60 dias, podendo ser prorrogado.
As investigações também detalham os métodos utilizados pelo grupo. Um dos principais esquemas envolvia o uso de pontos eletrônicos, em que integrantes infiltrados fotografavam as provas e enviavam as questões para comparsas externos, que repassavam as respostas por dispositivos ocultos.
Outra prática identificada foi o uso de “clones”, quando terceiros realizavam provas no lugar dos candidatos com documentos falsificados. Esse tipo de fraude foi detectado em concursos como o do Banco do Brasil e da Polícia Científica de Alagoas.
O governo de Alagoas será notificado para cumprir imediatamente a decisão judicial, enquanto as investigações seguem em andamento para apurar a extensão do esquema e possíveis novos envolvidos.

