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Israel suspende relações com secretário-geral da ONU

Israel suspende relações com secretário-geral da ONU

Israel anuncia congelamento das relações com António Guterres após acusações ligadas à violência sexual em conflitos.

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Luis Gomes
29 de maio de 2026
3 min de leitura
Internacional

O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, anunciou nesta quinta-feira a suspensão das relações do país com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. A decisão foi tomada após denúncias de que Israel teria sido incluído em uma lista de países acusados de utilizar violência sexual em conflitos armados.

Segundo Danon, a medida representa o congelamento das relações com o gabinete de Guterres até o fim do mandato do secretário-geral, previsto para 31 de dezembro de 2026.

“A decisão de incluir Israel na lista e nos acusar de usar violência sexual como arma de guerra é ultrajante”, afirmou o embaixador em vídeo divulgado nas redes sociais. “O secretário e sua equipe continuam espalhando mentiras contra Israel para nos colocar, juntamente com os terroristas do Hamas, na mesma lista. Isso é inaceitável”, acrescentou.

As Nações Unidas ainda não confirmaram oficialmente a informação e não haviam se pronunciado até a publicação do caso.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein, também criticou a suposta decisão da ONU e classificou a organização como “politizada e corrupta”, acusando-a de agir sistematicamente contra Israel.

Danon afirmou ainda que representantes da ONU foram convidados a visitar Israel para verificar as acusações, mas, segundo ele, a organização teria optado por não realizar a visita. O diplomata também criticou reportagem publicada pelo jornal The New York Times com denúncias de violência sexual contra palestinos em prisões israelenses.

A publicação reúne relatos de homens e mulheres que acusam agentes israelenses de estupros, torturas sexuais e humilhações durante detenções. O texto foi assinado pelo colunista Nicholas Kristof.

Um dia após a divulgação da reportagem, Israel publicou um relatório de 300 páginas acusando o Hamas e outras facções palestinas de praticarem violência sexual sistemática durante os ataques de 7 de outubro de 2023 e contra reféns mantidos na Faixa de Gaza.

Em paralelo à crise diplomática, o Parlamento de Israel aprovou uma lei que cria um tribunal militar especial para julgar palestinos acusados de participação nos ataques promovidos pelo Hamas. Segundo a imprensa israelense, cerca de 400 pessoas deverão ser julgadas.

Na última semana, a organização Global Sumud Flotilla também acusou soldados israelenses de agressões e estupros contra ativistas detidos durante missão com destino à Faixa de Gaza. Mais de 400 pessoas foram detidas e posteriormente deportadas para a Turquia.

O serviço prisional de Israel negou as acusações e afirmou que todos os detidos foram tratados conforme a lei e sob supervisão profissional.

A deportação dos ativistas ocorreu após críticas internacionais motivadas pela divulgação de um vídeo publicado pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir. As imagens mostravam ativistas detidos com as mãos amarradas enquanto o hino nacional israelense era reproduzido em alto volume.

Países como França, Bélgica, Canadá, Espanha, Itália, Irlanda, Coreia do Sul e Turquia criticaram o episódio. Até representantes dos Estados Unidos manifestaram reprovação à condução do caso.

O chanceler israelense, Gideon Saar, afirmou que a atitude de Ben-Gvir prejudicou a imagem internacional de Israel, enquanto o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu declarou que autorizou a deportação dos ativistas, mas discordou da forma como eles foram tratados.

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Última atualização: 29/05/2026