As forças de Israel afirmaram ter matado o chefe do braço naval da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri, em um ataque de precisão realizado na noite de quarta-feira (25). A informação foi divulgada nesta quinta-feira (26) pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz, mas ainda não havia sido confirmada oficialmente por Teerã.
Segundo Katz, o ataque atingiu Tangsiri e outros comandantes navais, possivelmente na cidade de Bandar Abbas, onde está localizada uma das principais bases da Guarda Revolucionária no estreito de Hormuz. O militar era responsável por coordenar a estratégia de controle da região, considerada vital para o fluxo global de energia.
O estreito de Hormuz é uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás natural liquefeito do mundo, por onde passavam cerca de 20% dessas commodities antes do início do conflito. Desde então, o Irã tem restringido a circulação de embarcações associadas a países adversários, além de ameaçar ataques e ampliar sua presença militar na área.
A morte de Tangsiri ocorre em meio à escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que já dura quase um mês. De acordo com autoridades americanas, mais de 140 embarcações iranianas foram destruídas, enquanto cerca de 30 navios comerciais foram atingidos na região, agravando a instabilidade no comércio marítimo internacional.
Com mais de 90% do tráfego afetado no estreito, os preços de petróleo e gás dispararam, pressionando economicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O governo americano tenta conter os impactos com sinais de negociação, embora as tratativas ainda sejam incertas e marcadas por divergências entre as partes.
Há indícios de articulação diplomática envolvendo países como o Paquistão, que atua como interlocutor, e menções a um possível avanço nas conversas, citado pela diplomacia da China como um “vislumbre de esperança”.
Nos bastidores, os Estados Unidos teriam solicitado a Israel que evitasse atingir figuras-chave envolvidas em negociações, como o chanceler iraniano Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, considerados centrais para eventuais acordos.
Apesar das movimentações diplomáticas, os confrontos continuam. Ataques e contra-ataques seguem sendo registrados na região, incluindo lançamentos de mísseis e drones por parte do Irã. Nesta quinta-feira, duas pessoas morreram em Abu Dhabi após serem atingidas por destroços de um míssil interceptado.
O governo americano estabeleceu prazo até sábado (28) para avanços nas negociações que levem à reabertura do estreito de Hormuz. Enquanto isso, o cenário permanece instável, com riscos elevados para a segurança internacional e o abastecimento energético global.

