O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou R$ 2 milhões em multas por incêndios florestais ilegais no Amazonas. As queimadas provocaram uma intensa camada de fumaça sobre Manaus nas últimas semanas. Em sete dias de operações, agentes do órgão lavraram 19 autos de infração e embargaram 250 hectares.
As autuações foram realizadas nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea, na região metropolitana da capital amazonense. As equipes do instituto trabalham para identificar os responsáveis pelos focos de incêndio, que, segundo o órgão, ocorreram sem autorização ambiental.
“Nossas equipes estão verificando áreas queimadas para identificar os responsáveis. São incêndios criminosos, feitos sem autorização de nenhum órgão”, afirmou o presidente do Ibama, Jair Schmitt.
Segundo ele, em alguns casos, o fogo ultrapassou cercas e atingiu áreas públicas e propriedades de terceiros. O trabalho de fiscalização deve continuar nos próximos dias, em uma ação coordenada com órgãos federais e estaduais para tentar impedir novas ocorrências.
Investigações apuram origem das queimadas
Agentes envolvidos no combate aos incêndios avaliam que a origem do fogo é predominantemente humana e intencional. As investigações, incluindo as conduzidas pela Polícia Federal, também apuram se existe motivação política por trás das queimadas.
No domingo (18), o Ministério Público Federal solicitou a instalação, em até 72 horas, de uma sala de situação interfederativa em Manaus, além da criação de uma força-tarefa e da suspensão de todas as autorizações para queimadas.
De acordo com relatório do procurador André Luiz Porreca, durante uma reunião realizada no sábado (17), representantes de diferentes órgãos concordaram que a maioria dos incêndios apresenta indícios de ação criminosa, com base nas características da vegetação das áreas atingidas.
O documento também aponta a atividade pecuária como uma das principais atividades tradicionalmente relacionadas aos incêndios, sem descartar outras possíveis motivações, inclusive políticas.
Participaram do encontro representantes do Ibama, da Polícia Federal, do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil do Amazonas.
Ainda no sábado, a Polícia Militar do Amazonas prendeu 11 pessoas suspeitas de envolvimento com as queimadas no estado.
Focos de incêndio aumentam no Amazonas
O Amazonas registrou 8.177 focos de incêndio entre 1º de janeiro e 18 de outubro de 2026. O número representa um aumento de 111% em comparação com o mesmo período de 2025.
Apesar da alta, o total permanece 49% abaixo da média histórica do estado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Considerando todo o bioma amazônico, foram contabilizados 40.633 focos de incêndio em 2026 até o período informado. O resultado representa crescimento de 62% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, mas permanece 47% abaixo da média histórica registrada pelo Inpe.
Governo federal reforça combate ao fogo
Uma comitiva do governo federal visitou a região no domingo (18) para acompanhar a situação. Participaram da agenda os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; José Múcio Monteiro, da Defesa; e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional.
A expectativa é que o efetivo mobilizado no Amazonas chegue, nesta semana, a 400 brigadistas e 16 aeronaves para reforçar as ações de combate aos incêndios.
A fumaça acumulada na região, porém, chegou a impedir algumas operações de combate ao fogo, dificultando o trabalho das equipes mobilizadas.

