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Homem e adolescente morrem após ingerirem veneno por engano na PB

Homem e adolescente morrem após ingerirem veneno por engano na PB

Inquérito aponta fatalidade em Patos: vítimas confundiram inseticida com bebida alcoólica. Caso ocorreu em bar e envolveu menor de idade.

Carlos HenriqueCarlos Henrique
13 de fevereiro de 2026
4 min de leitura
Policial

Um homem de 46 anos e uma adolescente de 16 morreram após ingerirem veneno por engano, no município de Patos, no Sertão da Paraíba. O caso aconteceu no dia 1º de fevereiro, em um bar da cidade, mas a conclusão do inquérito policial foi divulgada nesta quinta-feira (12). Segundo a investigação, as vítimas confundiram o inseticida com bebida alcoólica, e o episódio foi tratado como uma fatalidade pela Polícia Civil.

Inquérito aponta ingestão acidental de veneno

As vítimas foram identificadas como Hildebrando Martiniano Vieira, de 46 anos, e Ana Cristina Galdino Ferreira, de 16. De acordo com a conclusão do inquérito, não houve intenção criminosa no ocorrido, e o caso foi classificado como acidental.

A apuração foi conduzida pela Polícia Civil, que descartou a existência de dolo. Com isso, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público da Paraíba (MPPB), por envolver um adolescente.

Veneno foi confundido com bebida alcoólica

Segundo o delegado Claudinor Lúcio, responsável pela investigação, um adolescente de 15 anos teria encontrado o veneno dentro de casa, armazenado em uma garrafa pet, ao lado de uma pia. O líquido foi confundido com um conhaque e levado até o bar onde as vítimas e outras pessoas estavam reunidas.

“Ele entrou na residência, pegou o que aqui a gente conhece como pichulinha, aquela garrafinha de refrigerante pequenininha, esverdeada e cheia de um líquido que para ele era Dreher. Quando chega lá no local, ele coloca a garrafa em cima da mesa e começam a conversar”, relatou o delegado.

Imagens registraram momento em que bebida foi servida

Ainda conforme a Polícia Civil, o adolescente chegou ao bar de moto, acompanhado de um amigo, e colocou a garrafa sobre a mesa para compartilhar com os presentes. Toda a movimentação foi registrada por uma câmera de segurança do estabelecimento.

A primeira vítima, Hildebrando Martiniano Vieira, foi quem serviu o líquido em um copo e ingeriu a bebida. Poucos segundos depois, ele deixou o bar demonstrando sinais de mal-estar.

“Pega a bebida na mesa, serve o copo, toma e demora uns 10 segundos, aí fecha a garrafa, e já sai batendo no peito”, descreveu o delegado ao comentar as imagens analisadas durante o inquérito.

Adolescente ingeriu bebida após estranhar o gosto

Momentos depois, a adolescente Ana Cristina Galdino Ferreira chegou ao bar. O jovem que havia levado a garrafa serviu o líquido em um copo, deu um gole, estranhou o gosto e repassou a bebida para a amiga.

“Ele pega o líquido, coloca dentro do copo, bebe um pouco, sente um gosto ruim, cheira e entrega o copo para Ana, que também ingere a bebida”, explicou Claudinor Lúcio.

Após ingerir o líquido, a adolescente passou mal e precisou ser socorrida.

Vítimas morreram antes de receber atendimento médico

Ana Cristina foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas, segundo a polícia, já chegou ao local em parada cardiorrespiratória e não resistiu. Já Hildebrando Martiniano Vieira passou mal após sair do bar e morreu antes da chegada do socorro médico.

As mortes causaram comoção na cidade e levantaram questionamentos sobre as circunstâncias do ocorrido, o que motivou a abertura do inquérito policial.

Veneno é inseticida de uso doméstico

De acordo com a Polícia Civil, o líquido ingerido pelas vítimas era um inseticida utilizado no combate a formigas, carrapatos e cupins. Quando ingerido por humanos, o produto provoca depressão dos sistemas nervoso, respiratório e cardiológico, podendo levar à morte em poucos minutos.

A investigação não identificou falhas intencionais no armazenamento do produto nem indícios de que o adolescente soubesse que se tratava de veneno.

Caso será analisado pelo Ministério Público

Com a conclusão do inquérito classificando o episódio como uma fatalidade, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público da Paraíba. Caberá ao órgão avaliar se haverá algum tipo de responsabilização do adolescente envolvido, considerando que se trata de um menor de idade.

A Polícia Civil reforçou que o caso está encerrado no âmbito da investigação policial, mas poderá ter novos desdobramentos a partir da análise do Ministério Público.

O episódio serve de alerta para os riscos do armazenamento inadequado de produtos tóxicos, especialmente quando acondicionados em recipientes que podem ser confundidos com bebidas.

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Última atualização: 13/02/2026