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Glória Menezes morre aos 91 anos no Rio de Janeiro

Glória Menezes morre aos 91 anos no Rio de Janeiro

Glória Menezes morreu aos 91 anos, no Rio de Janeiro. Atriz teve mais de 60 anos de carreira no teatro, cinema e televisão brasileira.

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Luis Gomes
19 de agosto de 2026
4 min de leitura
Entreterimento

Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro, segundo informações da família. Uma das grandes atrizes do Brasil, ela construiu uma carreira de mais de 60 anos marcada por trabalhos no teatro, no cinema e, principalmente, na televisão.

Considerada uma das figuras fundadoras da teledramaturgia brasileira, Glória Menezes participou de cerca de 40 títulos televisivos e interpretou personagens que ajudaram a consolidar seu nome entre os mais conhecidos da dramaturgia nacional. Ao lado do marido, o ator Tarcísio Meira, também foi associada à introdução do naturalismo psicológico na televisão aberta.

A atriz também teve participações importantes no teatro e no cinema. Um de seus principais trabalhos na sétima arte foi como Rosa em “O Pagador de Promessas”, filme de 1962 dirigido por Anselmo Duarte. O longa, protagonizado por Leonardo Villar, venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Início da carreira

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934, Nilcedes Soares Guimarães dedicou a juventude ao estudo do piano. Na década de 1950, ingressou na Escola de Artes Dramáticas, mas deixou o curso um ano antes de concluí-lo, em 1959.

Na instituição, participou da fundação do grupo Jovens Independentes, com quem realizou seus primeiros espetáculos. Ainda em 1959, iniciou a carreira no teleteatro da TV Tupi e participou de “Um Lugar ao Sol”, sua primeira novela, na TV Excelsior.

Em 1960, já utilizando o nome artístico Glória Menezes, estreou em uma montagem de “As Feiticeiras de Salém”, de Arthur Miller, assinada pelo diretor Antunes Filho.

A projeção nacional veio com “O Pagador de Promessas”. Depois do sucesso do filme, Menezes ganhou, em 1963, um papel central na novela “2-5499 Ocupado”, na qual interpretou uma presidiária que formava um par romântico com Tarcísio Meira.

Parceria com Tarcísio Meira

Glória Menezes e Tarcísio Meira se casaram em outubro de 1963 e permaneceram juntos por 59 anos. O ator morreu em 2021, aos 85 anos, vítima da Covid-19. Na época, Glória Menezes também foi internada por complicações da doença.

O casal teve um filho, Tarcísio Filho, nascido em 1964 e que também seguiu carreira como ator. Glória Menezes ainda era mãe de Maria Amélia e João Paulo, filhos de um casamento anterior.

Na televisão, os dois se tornaram um dos casais mais conhecidos do público e parceiros frequentes em novelas e outros trabalhos. Na Globo, atuaram juntos em produções como “Sangue e Areia”, “Rosa Rebelde”, “Espelho Mágico”, “Guerra dos Sexos”, “Tarcísio & Glória”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.

Também dividiram o elenco de “Irmãos Coragem”, exibida em 1970. Na novela de Janete Clair, Glória interpretou Lara, personagem que apresentava três personalidades diferentes. Em 1984, a atriz estrelou ainda “Corpo a Corpo”, de Gilberto Braga.

A parceria entre os dois também chegou ao teatro. Em 1976, por exemplo, eles atuaram juntos na comédia “Tudo Bem no Ano Que Vem”, de Bernard Slade, com direção de Flávio Rangel.

Personagens marcantes

Nem todos os grandes trabalhos de Glória Menezes foram realizados ao lado de Tarcísio Meira. Em “Brega & Chique”, de 1987, interpretou uma dona de casa pobre que recebia uma herança milionária.

Em “Rainha da Sucata”, de 1990, viveu Laurinha Figueroa, uma personagem falida que mantinha uma aparência de riqueza. A cena em que a personagem se suicida ao se jogar de um prédio na avenida Paulista ficou entre os momentos marcantes de sua trajetória.

Glória também assumiu personagens que exigiram transformações físicas. Na novela “Jóia Rara”, interpretou uma monja tibetana e raspou a cabeça para o papel. A mesma mudança ocorreu na peça “Jornada de um Poema”, de 2000, dirigida por Diogo Vilela, na qual interpretou uma professora que desenvolvia câncer.

Teatro e últimos trabalhos

Em 2013, Glória Menezes voltou ao teatro com a comédia “Ensina-Me a Viver”, dirigida por João Falcão. A peça, de Colin Higgins, abordava a amizade entre uma octogenária e um jovem obcecado pela morte.

No cinema, após cerca de 20 anos afastada das telas, participou em 2006 de “Se Eu Fosse Você...”, comédia dirigida por Daniel Filho.

Um de seus últimos personagens foi Stelinha, na novela “Totalmente Demais”, exibida entre 2015 e 2016. Na produção de Rosane Svartman e Paulo Halm, interpretou uma socialite rica, mãe de Arthur, personagem de Fabio Assunção, que chega para transformar Eliza, vivida por Marina Ruy Barbosa, em uma estrela.

Depois disso, Glória Menezes fez pequenas participações em atrações como “Tá no Ar: a TV na TV” e “Os Casais que Amamos”. No ano passado, foi homenageada no programa “Tributo”.

Em suas últimas aparições públicas, a atriz era vista em cadeira de rodas ao lado de familiares. Com uma trajetória de mais de seis décadas, Glória Menezes deixa uma extensa contribuição para o teatro, o cinema e a televisão brasileira.

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Última atualização: 19/08/2026