O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo (5), durante agenda em Washington, nos Estados Unidos. O parlamentar afirmou que o governo federal estaria interessado na aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros por considerar que a medida pode gerar ganhos políticos. Flávio está na capital americana para participar, na terça-feira (7), de uma audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pelas negociações relacionadas às tarifas.
Durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais ao lado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o senador afirmou que o presidente teria se omitido diante das negociações comerciais com os Estados Unidos.
"O presidente da República simplesmente lavou as mãos e ele é o único no mundo que quer essa tarifação para as empresas brasileiras porque ele acha que vai ter algum retorno político. E todos os itens que estão sendo levados em consideração para saber se vão colocar a tarifa ou não, entre eles, é a corrupção. E claramente sabemos que o governo não combate a corrupção."
Flávio também publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou estar nos Estados Unidos para "defender o Pix". O USTR concluiu uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Entre os argumentos apresentados pelo órgão está a alegação de que o sistema de pagamentos brasileiro causaria prejuízos a empresas americanas.
O governo brasileiro negocia com as autoridades dos Estados Unidos desde o ano passado para evitar a adoção das sobretaxas. Em meio às tratativas, o presidente Lula tem chamado Flávio de "traidor da pátria", ao afirmar que o irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, incentivou o governo americano a adotar medidas contra o Brasil.
Em junho, Flávio exibiu um cartaz com a frase "O Pix é do Brasil e do Bolsonaro!!!", um dia após Lula levantar outro com a mensagem "O Pix é do Brasil!".
Na semana passada, o governo brasileiro encaminhou um documento ao USTR argumentando que a imposição das tarifas poderá prejudicar interesses dos próprios Estados Unidos e reduzir o espaço para negociações comerciais entre os dois países.
Também na última semana, Flávio enviou um documento ao governo americano propondo alternativas para evitar a aplicação imediata das tarifas. Entre as sugestões apresentadas estão a eliminação de tarifas sobre o etanol e a redução da carga tributária para empresas de cartão de crédito. No texto, o senador também afirmou que a adoção das sobretaxas neste momento representaria uma "vitória política" para Lula e pediu que uma eventual decisão sobre o tema seja adiada para depois das eleições brasileiras.
O documento destaca que Flávio Bolsonaro é senador da República, uma das principais lideranças da oposição e pré-candidato à Presidência. O texto também menciona encontros do parlamentar com o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio.
Além disso, o senador sugeriu que os Estados Unidos suspendam temporariamente o processo de aplicação das tarifas e abram uma mesa de negociação sobre os seis pontos abordados na investigação comercial: comércio digital, tratamento tarifário preferencial, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.
Em resposta, Lula criticou o conteúdo do documento enviado por Flávio. Em publicação na rede social X, o presidente classificou a iniciativa como uma atitude contrária aos interesses nacionais.
"É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano."
Na mesma publicação, Lula também afirmou:
"Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer nação do mundo. Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois."

